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Quinta-feira, 10 de maio de 2012
A imagem dos bancos continua péssima. E poderia ser diferente? |
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A imagem dos bancos, após a pressão do governo para a redução da taxa elevada (pornográfica) de juros, está definitivamente comprometida. Pouco tem adiantado o esforço das instituições financeiras e da Febraban para torná-la menos ruim porque, na prática, os bancos continuam sendo vistos como predadores. Merecidamente.
É forçoso admitir: o valor percebido dos bancos (benefício que o cliente percebe por cada real nele investido) é similar ao dos planos de saúde, o que, convenhamos, não é lá grande coisa porque estes, com raras exceções, vivem inventando artifícios para fugir às responsabilidades, desobedecendo inclusive às cláusulas previstas nos contratos firmados com os seus usuários.
Mas por que (e não é de agora!), os bancos têm uma imagem ruim? Ora, porque, apesar das campanhas milionárias, dos discursos grandiloquentes (bancos do planeta, defensores dos consumidores etc), que avacalham o conceito legítimo de sustentabilidade, continuam fazendo o que sempre fizeram: cobram juros extorsivos, elevam as taxas muito acima da inflação e pressionam sem dó o pescocinho de todos aqueles que, nos momentos de dificuldades, a eles recorrem.
Os bancos fizeram o impossível para serem excluídos do Código de Defesa do Consumidor, têm sistemas falhos de segurança e enviam cartões de crédito não solicitados. Telefonam para oferecer dinheiro quando não precisamos e nos viram as costas quando estamos apertados. Seus gerentes estão mais preocupados em atingir metas do que em ouvir o cliente e, no fundo, só têm olhos para os nossos bolsos. Todos sabemos como os funcionários das instituições financeiras padecem por causa desta pressão absurda, por resultados. O assédio moral (há centenas de processos em curso) nas instituições financeiras chega a ser insuportável.
Os bancos merecem, com certeza, esta imagem negativa e algo tinha mesmo de ser feito pelas autoridades para impedir que muitos deles (não seriam todos?) continuem agindo como se fossem os donos do mundo, com a capacidade inclusive, como vimos recentemente, de abalar todas as nações pela ganância, irresponsabilidade e falta de postura ética.
Reportagens recorrentemente publicadas pela imprensa mostram a falta de desrespeito de instituições bancárias com os seus correntistas, questionando inclusive a desobediência de muitas delas em relação a tópicos que constam do próprio sistema de autorregulação proposta pela Febraban (autorregulação no Brasil tem a ver com a raposa tomando conta do galinheiro!).
Enquanto os desmandos continuam, a concentração bancária cresce a olhos vistos, deixando entrever que o futuro para os consumidores será cada vez mais difícil. Dados de 2009 mostravam que, no ano anterior, os dez maiores bancos que operavam no país concentravam mais de 84% dos ativos totais e que essa participação chegava a quase 89% em junho de 2009 (contra 80,7 em setembro de 2007). De lá para cá, com o processo acelerado de fusão/aquisição nesta área, a situação ficou pior. Ou seja, estamos cada vez mais na mão de menos bancos, o que significa riscos enormes de sermos submetidos a preços e condições de financiamento absolutamente desfavoráveis.
Os bancos, apesar das recessões a que submetem os países em todo o mundo, continuam lucrando brutalmente e não há no horizonte nenhum sinal de melhora significativa no relacionamento com os consumidores a curto, médio e longo prazos. Se alguém lucra muito, alguém perde, não é verdade? Nesta área, não existe jamais almoço grátis e, certamente, somos nós que andamos pagando (e caro) essa conta.
Algumas empresas, os bancos incluídos entre elas, continuam acreditando que é possível , com investimentos em propaganda, implementar um processo de limpeza de imagem (muitas agroquímicas, mineradoras, farmacêuticas, a indústria tabagista etc também agem da mesma forma), visando aparecer bem na fita, o que só é possível a curtíssimo prazo e enquanto os consumidores e a opinão pública não estiverem alertas para os abusos, a hipocrisia, o cinismo que costuma contaminar determinados setores empresariais.
Houve até um banco (que já foi engolido por outro) que insistia , em suas campanhas, em proclamar que “nem parecia banco”, talvez interessado em se livrar desta imagem negativa que acompanha as instituições bancárias. Banco é sempre banco e tem como missão ganhar dinheiro, cada vez mais dinheiro. O resto é propaganda, manipulação, hipocrisia empresarial.
O que é possível fazer para reverter este quadro? A solução não é simples, mesmo porque, temos consciência de que a comunicação não faz milagre e que, na verdade, não é esse o seu papel. Apostar na maquiagem, na comunicação cosmética que tenta limpar a cara dos predadores, dos que desrespeitam o consumidor, é agir de forma irresponsável, mas certamente existirão agências e assessorias que, comungando com a falta de escrúpulos de muitas organizações, se prestarão a isso.
Aos jornalistas cumpre manter a vigilância, exercer o espírito crítico, acompanhar de perto (afinal de contas todo mundo é correntista, não é verdade?) as armadilhas criadas por algumas (serão todas?) instituições bancárias, denunciando os abusos cometidos ao arrepio da lei, da ética e do interesse público.
Cabe a todos nós também saudar os bons exemplos quando eles se manifestarem e separar o joio do trigo, embora nesse terreno costumem florescer com mais facilidade e intensidade as ervas daninhas, com pouco espaço para casos legítimos de respeito aos cidadãos.
Não podemos nos esquecer de que a especulação financeira, a mobilidade sem controle do capital volátil em busca de lucros exorbitantes, a ganância daqueles que colocam os resultados acima de qualquer outro objetivo já causaram problemas para o mundo todo e que continuamos ameaçados pela falta de compostura de agentes comprometidos apenas com os seus interesses.
Devemos cobrar das autoridades ação enérgica diante da ação nociva de instituições que avançam sobre os que nela depositam seus recursos e alegra-nos ver a destemida “presidenta” puxando as orelhas dos banqueiros, certamente a categoria de empresários mais mal falada (de novo, merecidamente) em todo o mundo.
A imagem dos bancos é, sem dúvida, ruim e eles têm culpa no cartório por não exibirem uma cara amigável, uma mão amiga, um ombro acolhedor na hora das dificuldades. Alguns lobos são tão grandes e disfarçam tão mal que não conseguem, nem com pele de cordeiro, impedir que vejamos a boca imensa, cheia de dentes afiados, babando em cima de clientes vulneráveis .
As áreas de comunicação das instituições financeiras que nos perdoem, mas a ética e a transparência continuam sendo fundamentais. Não adianta pintar a fachada da casa (o que metaforicamente nos remete a campanhas publicitárias enganosas) quando as estruturas (a ética, a cultura, a postura etc) andam abaladas.
E você? Anda contente com o atendimento e a postura de seu banco? Acha que a imagem dele está em sintonia com a maneira pela qual trata os seus clientes?
Se não estiver satisfeito com o seu banco, reclame, cobre do Governo medidas enérgicas, bote a boca no trombone. As redes sociais estão disponíveis para que cidadãos desrespeitados façam o maior barulho possível.
Em tempo: não citamos aqui nomes de bancos para não sermos injustos e para evitarmos retaliações (somos também correntistas, como você que nos lê). Se alguma instituição resolver enfiar a carapuça, é por conta dela. Sabemos que existem organizações que não gostam mesmo de se enxergar no espelho. Bancos do planeta? Bancos sustentáveis? Bancos amigos do cliente? Esse discurso falso causa enjôo. Não dá mesmo pra engolir.
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Sábado, 14 de abril de 2012
Os house-organs precisam ser tão chatos? |
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A maioria das organizações, em particular as de médio e grande porte, edita um ou mais jornais ou revistas, voltados para os seus públicos internos e externos. Na prática, a existência deste tipo de publicação se confunde mesmo com a própria história da comunicação empresarial brasileira. Basta perceber que a maior entidade da área – ABERJE – Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, com mais de 40 anos de atuação, ainda mantém a sigla original que significa Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresas. Há algumas décadas, não se falava ainda em comunicação empresarial, mas já circulavam publicações de prestígio.
O fato de os jornais e revistas de empresa existirem há um bom tempo não quer dizer no entanto que eles já atingiram um patamar aceitável em termos de forma, perfil e conteúdo e as razões para isso podem ser facilmente apontadas.
Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a gestão empresarial em nosso País ainda está tipificada por traços de autoritarismo (os chefes falam mais baixo, mas continuam mandando como sempre fizeram na maioria das organizações) e a cultura de muitas organizações associa livre circulação de informações com risco ou ameaças. Neste sentido, as publicações empresariais acabam convivendo com a censura e a auto-censura e mesmo em empresas consideradas modernas a pauta é controlada, o texto é vigiado e a pluralidade de idéias e opiniões desestimulada a todo momento.
Em segundo lugar, o conceito de jornal ou revista que vigora é singular porque distinto do usual (não deveria ser assim mesmo, indagam os executivos mais conservadores?). A divergência, a polêmica, a controvérsia é colocada de lado e postula-se um conteúdo que tem mais compromissos com a propaganda institucional (quando não mera promoção dos proprietários e chefias) do que com a chamada informação jornalística. O texto é adjetivado ao extremo e as pautas muito frias e sem graça como pão amanhecido e estrategicamente suspeitas como coxinha de rodoviária. Existe um sem número de temas tabus e, para muitos editores ou jornalistas, fica mesmo difícil fugir do lugar-comum: os assuntos remetem para pautas fechadas que não convidam para a leitura ou para a reflexão.
Finalmente, os jornais e revistas de empresa são produzidos a partir de um equívoco formidável: não levam em conta as demandas e as expectativas de seus públicos de interesse. Em muitas organizações, uma mesma publicação é encaminhada para os públicos internos e externos, sem considerar que funcionários (não podem ser tomados como iguais porque uma organização de médio ou grande portes – vamos dizer uma universidade por exemplo- tem funcionários com vários perfis), jornalistas, acionistas, clientes, parceiros etc requerem canais de relacionamento distintos. Por comodismo ou falta de visão (a segmentação dos públicos e veículos ainda não é realidade para a maioria das empresas), elas continuam produzindo o “jornal bombril”, aquele que serve para mil e uma utilidades. A comunicação moderna deve ser personalizada, não pode partir do pressuposto de que um mesmo assunto interessa a todo mundo porque há visões de mundo e experiências diferentes de um público para outro. Mesmo que esse seja o caso (e há situações em que um tema é de interesse universal), o tratamento dado ao assunto deve variar em função do perfil de cada público. Essa é a essência das editorias, dos cadernos, dos veículos segmentados etc e todo jornalista deveria saber (alguns empresários e editores de publicações empresariais parecem habitar outro universo da comunicação) que de uma mesma pauta resultarão matérias diferentes se os veículos tiverem linha editorial e perfil de público distintos. A cobertura da compra do ABN (Real para os íntimos) pelo Santander foi tratada de forma particular no Valor Econômico e no Diário do Grande ABC e ficou ausente do noticiário nos jornais de bairro.
Os jornais de empresa pecam porque estão muitas vezes atrelados a instâncias (departamentos, diretorias) que têm uma “cultura de comunicação” bastante singular, como o RH (que em muitas organizações ainda se reduzem “à chefia do pessoal”) , o marketing (de onde nasceu o conceito equivocado de endomarketing para a comunicação interna) e até mesmo o Departamento Jurídico (dá para imaginar o que pensa a empresa quando pendura aí a comunicação e o jornal de empresa!)
Está na hora de rever velhos conceitos e de profissionalizar de vez as publicações empresariais, dando-lhes a importância e o valor estratégico que deveriam ter. Quando os jornais e as revistas empresariais são concebidos apenas para legitimar determinadas situações, para lustrar o ego de empresários e diretores e não para cumprir sua verdadeira função de informar, provocar o debate, podem (e isso tem acontecido) causar efeito contrário ao pretendido. São descartados sem dó, não têm legitimidade/credibilidade enquanto veículos informativos e despertam aquela sensação desagradável de “pau mandado”, enfim não funcionam.
Os jornais e revistas empresariais seriam melhores se os seus executivos e editores resolvessem sacudir a poeira (tem publicação que cheira mofo e, se duvidar, tem até traça!), incorporassem inteligência ao seu negócio e abrissem mão desta censura/auto-censura que não faz mais sentido na sociedade que prega a chamada gestão do conhecimento.
Os jornalistas e sobretudo os funcionários das empresas sabem como é difícil produzir e ler a maioria destas publicações, insossas, insípidas e inodoras. Se os jornais e revistas refletem a cara das organizações que os editam, só há uma conclusão: elas são enjoadas e sem graça e bota enjôo nisso.
Em tempo: certamente há boas exceções, mas, como sempre, elas confirmam a regra.
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Quarta-feira, 28 de março de 2012
Contra os latifúndios da comunicação, a pluralidade das vozes locais e regionais |
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Quem frequentou ou anda frequentando os cursos de jornalismo nas maiores universidades brasileiras, costuma ter uma visão absolutamente equivocada do perfil da nossa imprensa, identificada quase sempre com os jornalões, os monopólios televisivos e as redes nacionais de emissoras de rádio. Para os futuros profissionais da mídia, o jornalismo brasileiro começa e termina na grande imprensa, particularmente aquela sediada no eixo Rio-São Paulo.
Este é certamente o pior, dentre todos os equívocos cometidos na formação dos nossos jornalistas, porque a realidade da imprensa brasileira é exatamente o pequeno jornal, muitas vezes com uma periodicidade semanal (os diários só aparecem nas médias e grandes cidades), que luta com imensas dificuldades para “tirar” a próxima edição, e as nossas tagarelas e prestativas rádios locais. Eles são milhares contra apenas algumas dezenas de jornais efetivamente regionais e um punhadinho (que dá para contar nos dedos das mãos) de jornais das grandes famílias e redes de emissoras de rádio e TV.
Os pequenos jornais e as rádios locais são na verdade a expressão desta terra diversa, não transgênica, e repercutem em boa parte dos casos a autêntica (e romântica) cultura jornalística brasileira, com suas melosas colunas sociais e inflamadas páginas políticas, com suas reportagens adjetivadas, escritas por dedicados escribas de fim de semana, sempre dispostos a cutucar os adversários e a reivindicar melhorias para as comunidades que representam.
O semanário típico do interior brasileiro e a rádio local são exatamente aqueles que se preocupam com os bancos quebrados na praça, que festejam ainda as datas cívicas e que se empolgam com as vitórias do time da cidade, legítimo representante das segundas e terceiras divisões dos campeonatos estaduais de futebol.
O pequeno jornal e a rádio local mantêm viva a nossa pródiga e mestiça nacionalidade num mundo que aposta nas benesses não democráticas do processo de globalização. Eles mobilizam, discutem, provocam, bajulam, descomprometidos com as fórmulas prontas do jornalismo pasteurizado da grande imprensa, que se imagina falando para o mundo, mas não consegue sensibilizar ao menos os cidadãos das suas metrópoles.
O pequeno jornal e a rádio local são representantes valiosos, heróicos, da imprensa brasileira, injustiçados por governos, agências, anunciantes e pelos profissionais de imprensa.
Evidentemente, é possível apontar para muitos desses veículos alguns vícios não justificáveis, como a dependência do poder político, a convivência com o “jabá”, a falta de profissionalismo, mas, mesmo assim, é preciso ir devagar com o andor em algumas dessas conclusões. Isso porque a chamada grande imprensa mantém quase sempre também uma relação promíscua com as autoridades e com as grandes empresas que as financiam numa proporção que supera em muito os compromissos dos pequenos jornais e das rádios locais. Ou não são os jornalões que andam buscando apoio da indústria tabagista para seus cursos de formação de jornalistas (“onde há fumaça, tem fogo”, diz o ditado popular) e que repetidamente se curvam aos governos em troca de favores ? Ou não são as redes de TV, sobretudo a da “Criança Esperança” e do "Big Brother", que promovem lobbies ilegítimos para manter seus privilégios e arrebanhar os generosos recursos oficiais?
O pequeno jornal e a rádio local precisam ser reconhecidos, precisam ser estudados, precisam merecer o apoio de todos aqueles que acreditam que é fundamental resgatar os valores locais, as falas dos que estão ao nosso lado, os bochichos ouvidos nas vielas mal iluminadas e as juras de amor trocadas diante das fontes luminosas que enfeitam as praças da catedral.
O preconceito de professores de jornalismo e de profissionais de imprensa (muitos deles nascidos no interior, portanto marcados pelo DNA caipira que pretendem repudiar) não faz sentido.
Está na hora de revertermos este cenário, de contemplarmos as nossas origens, de deixarmos de ter vergonha dos nossos traços culturais mais típicos, de dar um “zoom” colorido na nossa imprensa cabocla.
Se não fossem os pequenos jornais e as rádios locais, os nossos grandes problemas seriam deixados de lado porque no dia-a-dia são eles e não as editorias assépticas da grande imprensa, arrogante, sempre pretensiosa e mesquinha, que os têm pautado. A grande imprensa insiste em dar as costas para a nossa diversidade sócio-cultural e em cultuar as autoridades, as corporações, os grandes negócios e as grandes falcatruas . A grande imprensa está focada na eleição americana (senta no colo do Obama) e despreza a importância dos nossos vereadores, dá as mãos para as grandes empresas agroquímicas, de biotecnologia e para a Big Pharma e ignora as pequenas empresas, que, como a rádio local, o pequeno jornal, são a realidade desse país. A grande imprensa olha para os grandes barões da soja e da cana e esquece a agricultura familiar e repete a mentira planetária de que os transgênicos vão matar a fome do mundo.
A Academia precisa atentar para esta permanente injustiça e incluir o pequeno jornal e a rádio local no seu rol de prioridades em termos de estudo e pesquisa. Precisa, sobretudo, formar profissionais que possam, em suas localidades, contribuir para a defesa do interesse público para a afirmação da cidadania, o que significa, obrigatoriamente, favorecer a multiplicação das fontes, a ampliação do debate e a inclusão do cidadão comum como protagonista das notícias.
A imprensa brasileira é, sobretudo, a imprensa dos pequenos jornais e das rádios locais. Por mais que esforcem os jornalões e as grandes redes de rádio e TV, em Garanhuns/PE, em Amparo/SP, em Manacapuru/AM ou em Guaxupé/MG, predominam os jornais e as rádios locais. Porque eles têm a cor, o cheiro e o compromisso com a terra. Porque eles têm definitivamente raízes na cultura, na sociedade, na vida brasileira.
Assim como as sementes nativas, os jornais e rádios locais resistem a esta mentalidade transgênica que ameaça a nossa diversidade sócio-cultural e comunicacional. A mobilização contra as monoculturas da mente passa necessariamente pelo fortalecimento dos meios de comunicação que têm raízes nas comunidades. Que falem o padre, o delegado, o seu Joaquim da padaria, os velhinhos que jogam dominó nas praças arborizadas de todo o país, as comadres nas janelas, os jovens cheios de sonhos e as moçoilas “casadoiras.” Estamos fartos de políticos profissionais, de executivos prepotentes, de colunistas “a serviço de”, de produtores burocráticos de “leads” e infográficos coloridos.
Que a diversidade prevaleça de forma contínua, extensiva a todo o País. Viva as rádios locais e os pequenos jornais. O jornalismo brasileiro não pode continuar refém dos seus latifúndios.
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Quarta-feira, 14 de março de 2012
Decisão acertadíssima. Cancelamos finalmente a porcaria da Sky |
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Há momentos em que a gente demora para tomar uma decisão e foi o que aconteceu em relação à Sky, uma das operadoras de TV paga.
Recebemos de presente de uma das filhas uma assinatura no ano passado e, desde o primeiro momento, tivemos problemas para instalação (apareciam técnicos para fazê-la sem capacitação, o sinal nunca vinha e, quando vinha, caia logo e assim por diante). Um dia, ela se estabilizou, depois de botarmos a boca no trombone, reclamarmos insistentemente, xingarmos no Twitter, tudo aquilo que um cidadão desrespeitado por uma empresa incompetente faz. Mas o que parecia bom (???), durou pouco.
Com altos e baixos, temos suportado a Sky até agora, mas não deu mais. Depois de ficarmos sem sinal por quase uma semana, depois de insistirmos várias vezes no atendimento, com horas totalizadas de espera, atendimento de fundo de quintal etc, finalmente veio a luz e cancelamos esta porcaria. Ela não tem estrutura para atender, não tem cultura de atendimento, tem gente de fala melosa e sem qualquer condição de se relacionar com os clientes. Mentem, prometem e não cumprem, batem o telefone na cara, gargalham diante de nossos problemas.
Não sei se você, amigo ou amiga, já teve esse mesmo problema, mas até preferíamos que não tivesse porque é um horror tratar com empresas com esse perfil.
A gente sabe que as opções não são muitas, mas vamos decidir agora se iremos partir para outra. Não queremos é dor de cabeça e nos incomoda sermos continuamente desrespeitados por empresas como a Sky.
Não sabemos se iremos ter outra TV por assinatura em coisa. Uma coisa é certa: Sky nunca mais: ela dá azar, traz problemas para casa da gente.
Tchau, Sky. Estamos livres de você, porcaria enorme que entrou na nossa vida.
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Sábado, 10 de março de 2012
Proibir aditivos no cigarro é fundamental para a saúde e para a cidadania |
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O jogo continua tenso em Brasília, às vésperas da reunião da ANVISA que irá decidir sobre a exclusão definitiva de aditivos ao cigarro.
A proposta em discussão representa uma medida acertada, e foi encaminhada, há um ano, pela agência, com a aprovação de associações, entidades e especialistas, que não duvidam (é pra duvidar?) da intenção da indústria de utilizar aditivos para mascarar o gosto ruim do tabaco e, com isso, estimular o vício, prejudicando sobretudo crianças e jovens.
O lobby das tabaqueiras é poderoso, como tem, sido ao longo do tempo, a sua atuação no sentido de ludibriar a sociedade, primeiramente com a negativa recorrente de que o cigarro não fazia mal à saúde e depois com a tentativa deliberada de negar o prejuízo do fumo para os fumantes passivos.
A proibição de aditivos no cigarro representa mais uma etapa na luta contra uma verdade que, infelizmente para a indústria, é incontestável: o cigarro mata milhões de pessoas anualmente em todo o mundo e causa bilhões de dólares de prejuízo aos sistemas de saúde. Esta luta, que promete ser dura mas precisa continuar, se iniciou há um bom tempo e já percorreu várias frentes. Primeiramente, provou-se (era óbvio, não?) que o cigarro provoca câncer e um montão de outras doenças fatais. Ele não poupa crianças, jovens ou adultos, idosos ou mulheres grávidas e tem a capacidade nefasta de prejudicar a saúde dos nenês contaminados pelo vício indesejável das mamães. O mundo - e o Brasil também, acertaram ao proibir a propaganda, utilizada irresponsavelmente para estimular o consumo, e que cinicamente associava tabaco a prestígio, sucesso profissional e pessoal e até (incrível!) à saúde, como está documentado na história da propaganda. Você não se lembra do homem do Marlboro, ícone emblemático da vilania empresarial?
Este luta teve sequência com a proibição do fumo em lugares públicos, outra medida acertada e que, felizmente, já está em vigor em todo o país, seguindo o exemplo de outras nações que se deram conta, ainda que tardiamente, de que, em nome da qualidade de vida, o vício deve ser combatido a todo custo.
O cigarro é uma droga como muitas outras, degrada a saúde dos seus usuários sem dó nem piedade e permanece liberado porque, na prática, governos míopes contemplam apenas os impostos que ele gera, sem uma correta contabilidade dos prejuízos incalculáveis que o fumo provoca nas contas públicas e no bolso dos fumantes. Se as contas fossem feitas corretamente, seria fácil perceber que os impostos apenas mascaram o montante do prejuízo que o fumo acarreta para o país, apesar do discurso grandiloqüente da contribuição do tabaco para o PIB nacional e para o volume de exportações.
O aumento de aditivos no cigarro ( você sabia que tem cigarro com gosto de morango e de chocolate?) tem uma única intenção: aumentar o consumo, favorecer a sua utilização por pessoas (jovens e crianças sobretudo) e. com isso, garantir os lucros formidáveis de uma indústria poderosa.
A cadeia do tabaco tem reagido agressivamente à tentativa de entidades, como a ANVISA, de mudar suas posturas e de frear os seus lucros e se vale do lobby junto a autoridades, inclusive com a participação de parlamentares que gravitam em torno dela. Até aí nada demais porque o lobby, se legítimo (nem sempre é, como sabemos), faz parte do jogo democrático e, nesse embate, também há, do outro lado, entidades e parlamentares. E todos nós que sabemos que o fumo mata.
Os argumentos utilizados pela indústria do tabaco, em manifesto publicado dia 9 de março de 2012 no jornal O Estado de S. Paulo, são frágeis e incluem meias verdades.
O manifesto chega ao acúmulo de citar que “um cientista do FDA (que é agência reguladora americana) publicou recentemente um estudo cuja principal conclusão é que o risco de câncer de pulmão associado a cigarros mentolados é 41% menor do que o de cigarros não mentolados”. Mas não dá o nome do cientista, não menciona o estudo, e, o que é pior, traz um dado meramente parcial e arbitrário, daqueles que se extrai aleatoriamente para tentar reforçar uma posição que, evidentemente, não se justifica.
O manifesto insiste na tese de que a proibição dos aditivos reduzirá os impostos e, portanto a arrecadação. Mas, fica a pergunta, se menos cigarros forem vendidos e as pessoas fumarem menos, certamente os prejuízos para a saúde pública não serão bastante atenuados? Mas essa conta a indústria não faz e não quer fazer e é obrigação da ANVISA, do Ministério da Saúde e dos Governos e de todos os brasileiros atentarem para ela porque, afinal de contas, a conta cai sempre no nosso colo.
Reconhecemos, no entanto, que as tabaqueiras têm razão quando se referem ao comércio ilegal de cigarros porque ele não tem sido combatido nem com rigor nem com competência, ainda que as autoridades saibam como e aonde ele acontece no País. Reconhecemos ainda que centenas de milhares de pessoas vivem à custa do tabaco no Brasil, mas duvidamos que o cenário se modificará com a proibição porque, perdida esta batalha (e esperamos que ela seja perdida), a indústria buscará outras formas de manter o consumo e os seus lucros. Ela tem, neste sentido, se mostrado competente ao longo do tempo e buscado junto às classes menos favorecidas, sobretudo em países pobres e emergentes, compensar a perda causada pela redução do consumo por pessoas esclarecidas e que estão comprometidas com a sua qualidade de vida.
Temos dúvida (e como temos) se a reunião da ANVISA realmente acontecerá na próxima semana e se a pressão sobre as autoridades não impedirá que esta medida fundamental seja tomada. Nem temos como aquilatar o que deve estar acontecendo nos bastidores porque a transparência costuma ser penalizada quando há grandes interesses em jogo.
A ANVISA fez tudo corretamente, seguiu todos os trâmites que orientam uma consulta pública transparente e precisa ter autonomia para decidir o que é, nesse caso, melhor para o País. O argumento de que a ANVISA recebeu centenas de milhares de manifestações e abaixo-assinados contra a decisão não convence porque todos sabemos que a maioria deles chegou na última hora e de que esse movimento não foi espontâneo, ainda que parecesse ser.
Como cidadão, torço para que a proibição seja tomada, mas não sou ingênuo a ponto de ignorar o que poderá acontecer até a próxima semana com o objetivo de favorecer novamente os grandes interesses empresariais. Não descarto a possibilidade de que a ANVISA seja impedida (isso já aconteceu outras vezes) de exercer o seu papel. Sei que , em períodos eleitorais, candidatos se dirigem aos Estados produtores para buscar votos junto aos fumicultores. Não desconheço que há, infelizmente, relações nem sempre transparentes entre o poder político e econômico e elas não estão restritas ao tabaco, mas se estendem para outros setores, como o da biotecnologia, da agroquímica, de bebidas e para a Big Pharma.
Espero que possa, como cidadão, continuar expressando livremente a minha opinião sobre esse e outros temas e não ignoro que setores poderosos costumam constranger os adversários, buscando sufocar-lhes a fala e o texto. Agradeço o envio de material a mim endereçado por representantes da cadeia do tabaco, com o objetivo de fazer com que eu reexamine a minha opinião, frontalmente contrária ao fumo. Mas reitero a minha disposição de cerrar fileiras contra a tentativa de estimular o consumo do cigarro porque ele atenta contra a saúde de todos nós. O cigarro é uma droga, o cigarro mata e deve merecer tratamento correspondente a esta sua condição.
O resto é lobby, fumaça e um montão de aditivos. Meu apoio incondicional à ANVISA.
Em tempo 1: meu respeito às centenas de milhares de famílias que são reféns do tabaco e que dependem dele para sobreviver. Sobretudo, minha solidariedade aos que padecem nas culturas do tabaco vitimados pelos agrotóxicos e pela doença da folha verde (há pesquisas da Fiocruz sobre ela e isso sim é ciência).
Em tempo 2: meu respeito aos fumantes que, dependentes do vício, precisam do nosso apoio. O Governo deve prover, cada vez mais, condições para que eles possam ser tratados adequadamente e que, quando possível (nem sempre é e a própria indústria sabe disso!), deixem este vício que poderá custar-lhes a vida.
Em tempo 3: Devemos aumentar vigorosamente o preço do cigarro – por aqui ele tem um preço barato demais – e sobretudo combater implacavelmente o contrabando porque ele, como o cigarro legal, fazem mal para a saúde e a cidadania.
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Sexta-feira, 9 de março de 2012
O Jornalismo Ambiental e suas síndromes |
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O Jornalismo Ambiental brasileiro tem se caracterizado por algumas síndromes, equívocos formidáveis que têm impedido o cumprimento de suas inúmeras funções (informativa, pedagógica, de conscientização etc).
A primeira delas – a “síndrome do zoom ou do olhar vesgo” – tem a ver com o fechamento do foco da cobertura, a fragmentação que retira das notícias e reportagens ambientais a sua perspectiva inter e multidisciplinar. Esta síndrome é favorecida pelo processo acelerado de segmentação jornalística, concretamente a divisão de veículos em cadernos e editorias.
A redução da cobertura ambiental a um olhar (econômico, científico, político etc) tem sido um terreno fértil para leituras particulares e negativamente comprometidas sobre a questão ambiental e inclusive para a legitimação de conceitos absolutamente inadequados. Por este motivo, é fácil encontrar nos cadernos de economia expressões como defensivos agrícolas no lugar de agrotóxicos (que é o termo adequado porque estamos falando de veneno) ou mesmo a designação de plantação de eucaliptos como florestas, o que é uma aberração conceitual tendo em vista a redução de uma multidiversidade a uma monocultura.
A segunda delas – “a síndrome do muro alto” – diz respeito à tentativa de despolitização do debate ambiental pela desvinculação entre as vertentes técnica (comprometida com a perspectiva empresarial) e as demais vertentes (econômica, política e sócio-cultural). Na prática, ela situa a vertente técnica como a prioritária e busca desqualificar todos aqueles que vêem a questão ambiental a partir de um cenário mais abrangente. Ela respalda o discurso das elites e busca excluir os cidadãos comuns e mesmo determinados segmentos da sociedade civil do processo de tomada de decisões, defendendo a competência técnica como critério exclusivo de autoridade. Ela se manifesta nos editoriais dos grandes jornais (como o Estado de S. Paulo) que insiste em tornar o debate privativo de determinados grupos, como a CTNBio na decisão sobre a liberação de transgênicos, como se as pessoas ali reunidas fossem absolutamente isentas e se orientassem exclusivamente por critérios técnicos. Tem a ver, portanto, com uma visão vesga e ultrapassada que prefere contemplar e defender ainda a neutralidade da ciência e da tecnologia
Esta síndrome está associada a uma outra – a “lattelização das fontes”, ou seja o Jornalismo Ambiental tem priorizado (ou, o que é mais dramático, se reduzido a) fontes que dispõem de currículo acadêmico, produtores de conhecimento especializado e que, muitas vezes têm, por viés do olhar ou em muitos casos por má índole, se tornado cúmplices de corporações multinacionais que pregam o monopólio das sementes ou fazem a apologia dos insumos químicos ou agrotóxicos, cinicamente chamados de defensivos agrícolas.
O protagonismo no jornalismo ambiental, como de resto em qualquer campo do jornalismo, não se limita ao pesquisador ou ao cientista, mas inclui, obrigatoriamente, os que estão fora dos muros da Academia (muitas vezes excluídos em virtude de uma situação social injusta), como o povo da floresta, o agricultor familiar, o cidadão da rua.
O Jornalismo Ambiental, como o saber ambiental, não diz respeito apenas a questões complexas, que reclamam tecnologias de última geração, mas incorpora soluções simples, de dimensão local. Ele tem a ver com o dia-a-dia das pessoas e , na verdade, só faz sentido quando as inclui no debate, quando possibilita e promove a sua participação no processo de tomada de decisões. O Jornalismo Ambiental não pode, como tem acontecido com relativa freqüência, ser veículo dos vendedores de produtos e serviços, quase sempre antagônicos à idéia de proteção e de respeito à qualidade de vida.
A “síndrome Lattes” tem provocado, por extensão, a defesa da neutralidade, da objetividade, vinculando-se a uma lógica racionalista que repudia o debate político em seu sentido mais amplo e que propositadamente desconsidera a relação capital x trabalho. Respaldado nesta perspectiva, o Jornalismo Ambiental não admite a contradição insuperável, sobretudo se aceito o modelo em vigor, entre desenvolvimento econômico e meio ambiente. Traduz um sentimento reformista, advogado pelas grandes empresas poluidoras, que, de maneira hipócrita, fazem a apologia de medidas meramente cosméticas porque não podem (e não querem!) assumir uma proposta revolucionária. Como lembra o ditado popular, elas querem convencer-nos de que é possível fazer o omelete sem quebrar os ovos e vivem prescrevendo merthiolatte para a cura do câncer.
A quarta síndrome – a “ das indulgências verdes” – tem a ver com a adoção de uma postura hipócrita (cínica?) de determinadas empresas e profissionais que praticam o chamado “marketing verde” e que, repetidamente, buscam atingir dois objetivos: a) promover a “limpeza de imagem” de empresas predadoras (Monsanto, Bayer, Syngenta, Aracruz, Vale do Rio Doce, Souza Cruz etc) com slogans e campanhas publicitárias destinadas à manipulação da opinião pública; b) propor soluções cosméticas para a dramática questão ambiental, como o plantio de árvores para neutralizar emissões de carbono (visto como estímulo à manutenção do atual modelo insustentável), o discurso da reciclagem ( por exemplo de latinhas de alumínio) que acoberta o aumento brutal de produção e assim por diante.
A expressão “indulgências verdes” aplicada à questão ambiental foi cunhada por Marcelo Leite, jornalista da Folha de S. Paulo, e apareceu no título de sua coluna publicada a 9 de setembro de 2007. Nela, o jornalista compara “as consciências recém-convertidas ao credo ambiental” que compram e vendem indulgências por meio da neutralização de carbono `a ação do “frade dominicano Johann Teztel que, em 1517, foi enviado à Alemanha para vender indulgências – uma espécie de letra de câmbio papal, com a qual se resgastavam na Casa do Tesouro do Mérito os pecados cometidos. Era pagar e ir para o céu”. Marcelo Leite postulava em sua coluna, com muita propriedade, o surgimento de um novo Lutero (Martinho Lutero se insurgiu contra a prática das indulgências verdes e comandou a Reforma) para “sacudir a igrejinha verde dos nossos tempos”.
A quinta síndrome (se aprofundarmos esta nossa reflexão certamente emergirão outras mais) é conhecida como a “síndrome da baleia encalhada” e tem a ver com a espetacularização da tragédia ambiental, com a procura do inusitado e do esotérico e o recurso ao sensacionalismo. O Jornalismo Ambiental se ressente desta perspectiva acrítica de veículos e jornalistas, que contempla as questões ambientais a partir de fatos isolados, de acidentes ambientais espetaculares, como os tsunamis, os vazamentos de óleo na Baía de Guanabara, matança de indígenas, incêndios incontroláveis de reservas florestais ou aniquilamento em massa da fauna (focas, pingüins, peixes etc). Esta síndrome significa uma cobertura estática, paralisante, do meio ambiente, como se fosse possível (e desejável) ver a questão ambiental isolada de sua dinâmica, de suas causas e, portanto, distante dos grandes interesses que a promovem e a sustentam.
A “baleia encalhada” é certamente um flagrante trágico da degradação ambiental, mas os veículos vêem nela apenas uma forma plástica (?) de ilustrar as suas páginas e telas, sem investigar o fenômeno que a originou. O debate e a conscientização ambiental não podem limitar-se a um foto parada, ainda que colorida e de grande impacto, porque dependem de uma cobertura mais investigativa que busque enxergar além das imagens.
Estas síndromes decorrem de uma visão estreita, absolutamente equivocada, da cobertura ambiental e precisam ser superadas, sob pena de continuarem comprometendo o jornalismo ambiental. Para tanto, é fundamental que tomemos consciência do prejuízo que podem causar ao processo de produção jornalística que tem como objetivo principal a educação ambiental e a mobilização necessária em prol da qualidade de vida no planeta e, por conseqüência, a sobrevivência de todos nós.
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