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Segunda-feira, 15 de junho de 2009
ANVISA enquadra indústria farmacêutica. A Big Pharma não brinca em serviço |
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A partir de amanhã já estarão vigorando as novas normas que regulamentam a propaganda/publicidade e ações promocionais da indústria farmacêutica, com o objetivo de disciplinar o setor que anda cada vez mais “abusado”, buscando a todo custo aumentar os seus lucros, quase sempre em prejuízo dos cidadãos.
As principais novidades referem-se ao uso de celebridades em campanhas publicitárias, à distribuição de amostras grátis, à regulamentação do uso de marcas em eventos médicos, utilização de marcas de produtos em sites abertos a internautas e veiculação de comerciais de medicamentos sem prescrição médico em programas infantis.
A Big Pharma tem se valido da falta de regulamentação para os seus deslizes éticos freqüentes e para implementação de ações que visam confundir o cidadão (com conseqüente estímulo à automedicação), como as recentes campanhas da Aspirina e do Anador que hipocritamente referiam-se a concursos culturais, quando o objetivo explícito era criar um mailing e “malhar” produtos, burlando a legislação. Felizmente nesse caso, como noticiamos neste blog, a ANVISA suspendeu a farra e proibiu estes concursos fajutos. Já havíamos denunciado esta situação antes nesse mesmo blog porque era evidente a intenção da Bayer com o concurso para promover o consumo da Aspirina.
Na verdade, pouco a pouco, as autoridades começam a tomar decisões importantes (é louvável a disposição da ANVISA em barrar campanhas e posturas não éticas da indústria farmacêutica) no sentido de regular o setor, apesar da grita de laboratórios e agências que o servem (interessadíssimas em manter as campanhas e, portanto, suas comissões).
A Big Pharma tem sido acusada em todo mundo pela sua agressividade comercial, muitas vezes contando com o apoio de parcela de profissionais de saúde que, sem compromisso com a saúde e a sociedade, fazem o jogo da indústria, prescrevendo medicamentos sem controle, recebendo brindes, incentivando o consumo de remédios, como denunciam as próprias entidades que representam a classe médica.
Não é razoável fechar os olhos a esta investida nefasta da indústria da saúde e é ilustrativo ler A verdade sobre os laboratórios farmacêuticas, de Márcia Angell, obra publicada no Brasil pela Editora Record. Quem se dispuser a isso, verá como age a Big Pharma, conhecerá algumas de suas estratégias para ampliar seus lucros, sua relação espúria com governantes em todo o mundo, seu lobby agressivo etc etc.
É preciso ficar atento a esta indústria porque, salvo exceções (elas sempre existem), ela tende ao monopólio (vide caso da Sanofi com a Medley), a buscar uma condição que a mantenha fora dos controles oficiais. As denúncias sobre cartéis, ações ilícitas, troca de favores no governo etc são freqüentes e na maioria dos casos tudo se faz em prol de vantagens financeiras e em detrimento da saúde da população.
Devemos ficar de olho na indústria da saúde, como tem feito a ANVISA. Há certos setores que, infelizmente, optam por uma postura ética doentia. As exceções confirmam a regra.
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Sexta-feira, 12 de junho de 2009
Um novo golpe na indústria do tabaco. Um dia, a gente mata ela de vez |
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A indústria do tabaco, que vende drogas livremente em todo o mundo, vitimando milhões de pessoas todos os anos, sofreu um duro golpe ontem nos EUA: por 79 votos a 17, o Senado norte-americano aprovou uma lei que autoriza a FDA (agência federal de medicamentos e alimentos) a controlar s produção, a venda e a publicidade do cigarro.
A proposta visa regular esta indústria nefasta, tentando, de alguma forma, impedir que ela continue penalizando os cidadãos com seus produtos danosos à saúde. Agora, além do aumento do tamanho dos avisos de danos à saúde, a FDA pode exigir a eliminação ou pelo menos a diminuição de substâncias químicas que fazem parte do cigarro. Nada também de utilizar termos como “light” (leve), “mild” (moderado) e “low” (baixo), que chegaram a ser apropriados pela indústria do tabaco como uma forma cínica de mascarar o efeito nocivo do cigarro e similares.
O Brasil , sob este aspecto, está mais adiantado do que os EUA (lá o lobby das gigantes do tabaco é ainda maior do que aqui) porque já temos normas equivalentes há vários anos. Isso não significa que não devemos apertar ainda mais o pescoço dos fabricantes de drogas (lícitas, eu sei, infelizmente), como o aumento progressivo dos impostos e mesmo indenização pelos prejuízos que causa ao sistema de saúde.
É preciso fechar o cerco sobretudo à Souza Cruz e à Philip Morris porque elas continuam tentando dar as cartas no Brasil (a Souza Cruz foi favorecida no Rio Grande do Sul recentemente e continua patrocinando parlamentares no Congresso). São empresas hipócritas e que, apesar de matarem e deixarem inválidos um montão de brasileiros que consomem seus produtos, insistem em se proclamar sustentáveis (o conceito de sustentabilidade delas inclui até a morte dos clientes). Um dia , não devemos desistir nunca, conseguiremos banir de vez estas drogas (empresas fabricantes e seus produtos) da sociedade. A saúde do planeta agradecerá.
A indústria do tabaco merece fumo. Precisamos esmagá-la rapidamente antes que milhões de brasileiros morram. Deixá-la sem ar como acontece com os consumidores de seus produtos. Ou elas vão continuar, como sempre fizeram, dizendo que o cigarro é legal, que o fumante passivo não é prejudicado e assim por diante, impunemente?
Uma sugestão: por que o Governo brasileiro, como fez o dos EUA, não aplica à indústria do tabaco uma multa daquelas. Você sabia que ela fez um acordo de bilhões de dólares com inúmeros Estados americanos? E continua vencendo batalhas judiciais por aqui porque a Justiça brasileira é frouxa. Já que as autoridades gostam tanto de copiar medidas dos países desenvolvidos, que tal impor à indústria do tabaco um golpe mais forte?
Respeitemos os fumantes (eles precisam de tratamento e conscientização), mas vamos punir exemplarmente quem fabrica drogas (lícitas, eu sei, infelizmente). Sustentáveis? A Souza Cruz e a Philip Morris só se sustentam às custas da saúde dos consumidores. Como sempre digo, esta Cruz e este Morris na razão social destas empresas não devem ser coincidência. Significam mesmo alguma coisa. O fumo mata. Alguém duvida?
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Quinta-feira, 11 de junho de 2009
O blog da Petrobras: inovação ou oportunismo? |
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Não há hoje assunto mais palpitante no mundo da comunicação brasileira do que o glob da Petrobras. Ele é de longe a pauta preferida dos jornalões (em especial O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão), deles merecendo inclusive editoriais candentes, além de reportagens diárias. E está também na boca da maioria dos comunicadores empresariais (pelo menos entre os mais bem informados, porque há alguns que não lêem coisa alguma e estão mais por fora do que bunda de passista de escola de samba).
Mas o que o blog da Petrobras tem de tão revolucionário para merecer esta atenção? Ora, ele foi criado pela empresa (e ela tem o direito de criar o que quiser) para combater os veículos que andam abrigando denúncias (algumas com certeza verdadeiras e merecidas, ou a mídia anda ruim mesmo de investigação?) sobre seus gastos sem controle e sua indiscutível falta de transparência. O blog nasceu porque a Petrobras se viu pressionada junto à parede, acuadíssima, em função da ameaça de uma CPI pela oposição (faz-me rir) brasileira para investigar as tais denúncias.
Embora tenha 1.150 profissionais em sua estrutura de comunicação, a Petrobras (que anda em crises permanentemente) não tem ao menos uma equipe competente para gerenciar esta nova crise e se viu obrigada a chamar a CDN , uma agência de prestígio, para ver se saía dessa com a cara limpa (o que não é fácil para quem explora petróleo!).
O episódio está dando o maior rebu, simplesmente porque o blog da Petrobras na primeira semana de criação andou utilizando as perguntas dos jornalistas que investigavam a empresa e se antecipando à sua divulgação nos seus veículos. Os profissionais de imprensa não gostaram nadinha de se verem “furados” pelo blog e botaram a boca no trombone, com o apoio da Abraji, da ANJ (que se proclama agora defensora do interesse pública, veja só!) e de outras entidades menos votadas. Pressionada, a Petrobras já mudou o procedimento e decidiu se antecipar só um pouquinho à divulgação da empresa (publica no blog as respostas a partir da zero hora do dia em que as reportagens vão ser publicadas) e não tenho dúvida de que ela vai arrefecer à medida que a base do Governo conseguir empurrar a CPI para longe ou abortá-la.
O mais importante é deixar claro que a Petrobras, com o blog, não assumiu definitivamente um compromisso com a transparência, e que ele não passa de uma ação legítima , embora oportunista. Se é pelo blog que a Petrobras acha que pode ser transparente, por que não fez isso antes? Ora, por que ela é uma empresa meio virgem (meio pública e meio privada) e vive nesse dilema de prestar contas ou não. E só diz o que interessa como toda empresa privada e corre para o colinho do Governo toda vez que precisa de apoio, como toda empresa pública. Vive eternamente em crise de identidade. Sou pública? Sou privada? Conto ou não conto?
As crianças contam para os pais somente aquilo que pode render doces (notas altas no colégio, prêmios nas competições de natação etc) e escondem as traquinagens que podem redundar em palmadas. A Petrobras é assim também. Não quer revelar quanto está gastando com a CDN para que ela gerencie a sua crise, o que fazem 1.150 profissionais em sua estrutura de comunicação, porque é tão generosa com algumas ONGs suspeitas e porque gosta tanto de festas de São João.
Mas, apesar disso, a Petrobras tem o direito de ter um blog, de twittar doidamente, de mobilizar pessoas para que a elogiem porque executivos de empresas com esse perfil adoram mesmo uma babação. É o lado político da Petrobras, disputado a soco e pontapé a cada mudança de governo.
Os jornalistas deveriam ser mais espertos e aceitarem a realidade que está posta: guerra é guerra. Na moderna sociedade da informação, os jornalões estão perdendo a sua força e algum dia a opinião pública vai precisar menos deles (eu adoro ler jornais e sentirei muito se eles se forem embora, levando suas manchetes e leads escritos em papel). Os jovens, por exemplo, preferem a internet e são exatamente eles que dão todo o apoio para a Petrobras nessa hora (adoram um blog), mesmo porque a maioria nunca leu um editorial da Folha ou do Estadão. Não sabem quem são os “mesquitas” e os “frias de oliveira” e nem querem saber. Curtem o Bill Gates, os meninos do Google ou se filiam aos rebeldes (com causa) do Linux.
Se os jornalistas admitirem que existe umaa guerra, precisarão então usar uma estratégia mais adequada. Será que não perceberam que, ao encaminharem as perguntas para a Petrobras, dão a ela pistas sobre a investigação e favorecem a ocultação ou a manipulação das provas (não estou dizendo que ela faz isso, mas é uma boa hipótese, não acha?).
O negócio é investigar numa boa (toda empresa sabe que o inimigo mora dentro de casa e a mídia deveria saber que pode contar com os adversários internos para levantar provas importantes!), com responsabilidade, e , se houver denúncias comprovadas a fazer, vir com tudo. Este negócio de denuncismo é caso de polícia e não vamos aqui incentivar episódios lamentáveis da imprensa brasileira, como os da Escola Base e o do Bar Bodega. Mas detesto jornalista covarde, babaca, aquele que vive de coletiva e que não consegue desgrudar a bunda da cadeira das redações.
A Petrobrás é um patrimônio nacional e gosto muito dela, apesar de vazar óleo além de notícias. Ela é competente tecnicamente, a jóia da coroa como a gente diz, mas está sempre presente na imprensa, não porque a mídia deseja detoná-la, mas porque tem se metido em besteiras com alguma facilidade ao longo do tempo. Mas não podemos mesmo confundir a empresa com os seus dirigentes, atuais, passados ou futuros. Você se lembra daquele presidente (faz pouco tempo) que queria mudar o nome da empresa para Petrobrax? Levou cacete de todo lado e só se aquietou depois que o ex-presidente Fernando Henrique (que havia concordado num primeiro momento com a mudança) voltou atrás, assustado com a reação dos militares, dos políticos e da opinião pública.
O blog da Petrobras, repito, encerra uma novidade. Não é qualquer empresa que resolve comprar esta briga com a imprensa e que parte para o confronto aberto. E acho que poucas irão segui-la até porque empresário com coragem em comunicação é mais difícil de encontrar no Brasil do que agulha em palheiro. Apesar do discurso, empresários e executivos de comunicação acham que este negócio de comunicar é mais ameaça, risco do que oportunidade. Falam em comunicação estratégica porque não sabem o que estão dizendo ou porque pensam que enganam a gente. A mim nunca enganaram: têm medo da própria sombra, muitos porque são inseguros mesmo e outros porque têm rabo preso. Há exceções, eu sei, mas essas, como diz o ditado, apenas confirmam a regra.
A gente vai aprender bastante com este caso. Mas não se trata – vou repetir – de qualquer exemplo emblemático de transparência, muito longe disso. É oportunismo, algo que vai pouco a pouco acabando e que nasceu (estratégias de comunicação nascem assim, o que tem demais?) para se opor à CPI (que não vai existir porque, depois da ferrada do argumento da privatização que derrotou o Alckmin na última eleição, a oposição morre de medo de entrar noutra!).
Enfim, vamos esperar para ver. Posso especular? A briga da Petrobras com a mídia, apesar de algumas seqüelas – mais entre os jornalistas do que entre os patrões- vai acabar em pizza. A eleição presidencial está chegando, a Petrobras tem muito dinheiro e gosta de financiar cadernos especiais (os publieditoriais, projetos de mercado) nos jornais e revistas de prestígio, investe em publicidade e em patrocínios, coisas que os empresários da comunicação adoram (é disso que a ANJ mais gosta para dizer a verdade).
A Petrobras vai continuar com sua crise de identidade, seu DNA meio virgem (meio pública e meio privada) e novas crises virão. Se ninguém falar nada, poderá aumentar o número de profissionais em sua estrutura de comunicação (1.150 já não está bom?) e continuar tendo as costas largas para receber políticos da base dos governos, todos eles. Depois que esta história, inventada por alguém muito esperto, de que querem privatizar a Petrobras for página virada, os petroleiros voltarão a reclamar da terceirização excessiva e vão virar adversários novamente. E tudo voltará a ser como antes nas refinarias, nos postos de gasolina e nas salas refrigeradas da sede na cidade maravilhosa.
Fica a sugestão: por que não contratar de vez a equipe da CDN (os maldosos estão dizendo que a sigla quer dizer Conseguimos Derrubar Notícias) já que entre mais de mil profissionais de comunicação ninguém entende de gerenciamento de crises (outra sugestão: capacita alguém lá dentro para tomar conta disso, puxa vida!) e submeter o Gabrielli a um novo programa de media training para que ele perca a arrogância.
Dois conselhos de graça para a Petrobras: a) crise de gestão não se resolve com blog. Como outras crises virão, é melhor começar a preveni-las desde já; b) transparência não tem nada a ver com auto-elogio e é preciso dar um passo a mais: responder verdadeiramente às demandas dos jornalistas que podem ser também as da opinião pública.
E uma pergunta: quanto a Petrobras gastou nos últimos anos com cadernos especiais e propaganda na mídia? Será que 1.150 profissionais , que devem onerar em muito a folha de pagamento em virtude do elevado custo Brasil não são suficientemente capazes para divulgar os feitos e as descobertas da Petrobras? Precisa entupir os cofres dos monopólios da mídia? Sem trocadilho com o Pré-Sal, gastar tanto em publicidade fica salgado.
Que a Petrobras possa resolver logo esta crise e aproveitar a festa junina que vem por aí. Ela é craque em pular fogueira. E a imprensa gosta de pipocar. Vamos investigar melhor, gente? Algo me diz que há esqueletos gigantes dentro do armário e que basta abrir a porta para eles despencarem de lá!
Eu vi isso nos meus sonhos. Apesar do barulho, eu que não sou executivo da Petrobras – felizmente, ando dormindo direito. Deixa os pesadelos para quem fabrica aquela gasolina e aquele diesel sujinhos de dar dó (e matar as pessoas nas grandes cidades).
Eu vou continuar gostando (e muito) da Petrobras. E lendo o blog para ver se minhas perguntas serão respondidas por lá.
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Quinta-feira, 11 de junho de 2009
Gasto militar explode. E a indústria de armamentos ri cinicamente |
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Os gastos militares explodiram em 2008 . Parece que a crise econômica em nada contribuiu para arrefecer a sanha guerreira de governos e nações por todo o mundo, muito pelo contrário.
Segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), as despesas para o financiamento das guerras e conflitos chegaram no ano passado a US$1,46 trilhão, algo correspondente a quase todo o PIB brasileiro no ano passado (US$1,57 trilhão, segundo o FMI). Em relação a 10 anos atrás, houve um aumento de 45%, ou seja, os países estão buscando armar-se até os dentes, muitos deles com a desculpa de que pretendem ou estão combatendo o terror.
Na América do Sul, nesta última década, os gastos militares cresceram 50% e o Brasil e a Colômbia responderam pela maior parte deste incremento. E eu sempre aprendi que somos um povo cordial, de paz.
Evidentemente, os EUA continuam liderando a corrida armamentista e tiveram despesas militares em 2008 de US$607 bilhões, seguidos pela China (US$84,9 bilhões), pela França (US$65,7 bilhões), pelo Reino Unido (US$65,3 bilhões) e pela Rússia (US$58,6 bilhões).
Se uma parte desta gastança da guerra fosse investida em saúde, em alimentos, em impedir a destruição do planeta, o futuro de nossos filhos e netos seria bem melhor e milhões de mortes estariam sendo evitadas neste momento.
Mas a gente não pode ignorar que, além da falta de juízo de governos, há por trás disso tudo um lobby poderoso, pernicioso, safado da indústria bélica em todo mundo que vive alimentando conflitos, provocando discórdia e estimulando o consumo de armas. Ela tem gosto de sangue.
Armas e drogas representam os negócios mais rentáveis no mundo atual e costumam andar juntas em lugares hostis do nosso país. São companheiras inseparáveis.
Esta mentalidade insana às vezes me deixa em dúvida com respeito à inevitabilidade da evolução humana, o que é triste exatamente neste ano dedicado a Darwin. Vamos ver se o Obama consegue reduzir esta fúria armamentista, o que já representaria um alívio, visto que os Estados Unidos concentram a maioria esmagadora dos gastos e poderiam dar uma sacudida nesta indústria maldita.
Por aqui, vamos ficar de olho no lobby dos fabricantes nacionais e internacionais de armamentos e denunciar o assédio nefasto que favorece o consumo da guerra.
Queremos Paz. Será que os senhores da guerra não entendem isso?
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Quinta-feira, 11 de junho de 2009
Os heróis do Lula andam dando calote? Eu não posso acreditar
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Os usineiros, proclamados não há muito tempo heróis do presidente Lula (tenho votado nele e não me arrependi ainda), e que andam sendo acusados frequentemente de exploração do trabalho escravo, por tripudiarem sobre o suor dos valorosos bóia-frias, estariam agora, segundo reportagem recente da Folha de São Paulo (07/06/2009, p.B4), sonegando impostos ou seja, em função da crise, não andam cumprindo com a sua obrigação junto ao Fisco.
A investigação ainda não chegou a fim, mas já há, segundo reportagem assinada por Catia Seabra, com a colaboração de Verena Fornetti e Marcelo Toledo (este da Folha Ribeirão – opa Ribeirão Preto é minha terra querida!), mais de 10 empresas sob suspeita. A Folha cita a Cosan, a Santa Fé, empresas saudáveis e que estariam praticando a sonegação (a Cosan nega o fato) entre outras, e diz que o Fisco percebeu facilmente que algo estava estranho.
É que o aumento do faturamento deste ano em relação ao anterior não combina com a redução do imposto pago. Como a taxa de imposto não diminuiu, algo não está batendo e a explicação óbvia é essa: alguém está lesando o Fisco.
Na verdade, muitas usinas estão dando prejuízo de dar dó porque a crise bateu duro nelas, deixando-as sem capital de giro. A sonegação tem sido, admite-se, uma forma de manter dinheiro em caixa, mesmo porque é mais barato pagar depois ao Fisco do que pedir empréstimo ao banco (qualquer banco), que pratica esse spread maluco, quase pornográfico.
Não se sabe ainda aonde a investigação e a sonegação vão parar. Eu só espero que a Cosan esteja falando a verdade porque, segundo tenho lido nos jornais, ela pode entrar firme no patrocínio do Verdão, meu querido Palmeiras , aquele que tem a defesa que sempre falha. Acho que não me sentiria bem em comprar uma camisa nova do time se ela estampasse a marca de alguma empresa não socialmente responsável (pagar impostos é uma obrigação tanto que o trabalhador paga direto na fonte, sem chiadeira).
Vou esperar na torcida. E para não andarem dizendo que eu generalizei , que coloquei todos os usineiros no mesmo balaio, uma explicação. Calma aí, tem usineiro responsável. Mas ainda continuo preferindo os bóias-frias. Para mim, eles é que são os verdadeiros heróis. O presidente Lula deveria estar brincando quando chamou os usineiros de heróis, embora não seja mesmo fácil pagar o custo Brasil. A agricultura sofre... e os latifundiários se locupletam em Brasília. E a MP da grilagem precisa ser vetada pelo presidente Lula (confio no senso de justiça do homem).
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Quinta-feira, 11 de junho de 2009
Telefônica oferece novo combo: desculpas e incompetência juntos |
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Está virando brincadeira e de muito mau gosto. Depois de pedir desculpas pela pane do Speedy no mês de maio, lá vem a Telefônica de novo, com seu jeitão de campeã absoluta de reclamações, inventando desculpa esfarrapada pelo problema agora ocorrido na telefonia fixa.
O presidente - Antonio Carlos Valente – sempre repete a mesma surrada história: vamos compensar os prejuízos e aí sugere o abatimento do valor da assinatura no tempo em que o serviço ficou inoperante. Ora bolas, nada disso. Está na hora de os órgãos de defesa do consumidor, o governo ou alguém responsável por terminar com esta bagunça, mandar fumo na empresa que cobra caro, serve mal e vive inventando desculpas para as suas mazelas, humanas ou tecnológicas. Tem que indenizar pra valer, tacar uma multa grande no lombo da Telefônica, no mínimo do tamanho da sua incompetência.
Se você já tentou algum dia reclamar de alguma coisa (e olha que motivos não faltam nunca!) para a Telefônica já sabe a encrenca que é: tempo de espera absurdo, atendimento horroroso e uma tentativa deliberada de jogar para cima da gente os seus problemas. Uma hora são os hackers, outra hora os terceirizados. Ora, ora, dona Telefônica, vai inventar história da carochinha lá longe.
Eu não aceito as desculpas porque, quando elas são recorrentes, não fazem sentido. A Telefônica precisa inventar outra estratégia porque essa não dá mais. De desculpas o inferno está cheio. Por que não conserta esta porcaria?
O problema, dizem os entendidos, é que ela deseja dar um passo mais largo do que a perna permite e vive arrebanhando com campanha publicitária milionária novos clientes, sem ter condição ao menos de atender direito as vítimas que ela já tem. Isso é falta de planejamento , ganância e outras coisas (somos educados e vamos parar por aqui) tudo junto
Eu sugiro que a gente ofereça um combo para a Telefônica: cara de pau e incompetência num mesmo pacote. E uma dica para a empresa com suas desculpas fracas e esfarrapadas: arruma de vez a banda larga e a telefonia fixa ou fecha para balanço. Por que o presidente da Telefônica não vai dar uma voltinha na Espanha, leva as desculpas junto e as deixa por lá?
Não tem jeito: vamos esperar pelo próprio apagão da Telefônica e pela nova entrevista de desculpas do Valente na televisão em horário nobre (a tecnologia da Telefônica não é tão nobre assim, não é mesmo?). Vai ver que o presidente gostou dos holofotes? E os funcionários arrumam sempre um jeito de ele aparecer. Então, está bom, em maio e em junho ele já compareceu na mídia e deu um clipping imenso. Agora só em julho, hein? Como sabe bem o pessoal da assessoria de imprensa da Telefônica, entrevista coletiva toda hora vira carne de vaca. Não é bom ficar insistindo tanto. Tô fora. Meu pai já dizia: quem não tem competência não se estabelece. A marca Speedy parece que não combina com a cultura da empresa: é lenta demais para consertar as suas falhas.
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