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Quarta-feira, 28 de julho de 2010

Justiça proíbe milho transgênico da Bayer.
E a CTNBio se omite como sempre.

 

Está em inúmeros jornais de hoje: a Justiça Federal do Paraná proibiu a venda do milho transgênico da Bayer, que havia sido liberado pela CTNBio, de há muito um reduto das empresas de biotecnologia e de pesquisadores não comprometidos efetivamente com a preservação da biodiversidade ou que não enxergam além do próprio umbigo.
 
A juíza Pepita Durski Tramontini apoiou a sua decisão em um equívoco óbvio do processo de liberação: a ausência de um plano de monitoramento, o que, convenhamos, deveria ser natural, se tantos interesses não estivem em jogo e a CTNBio não se omitisse, como tem ocorrido com freqüência.
 
A decisão foi provocada por uma ação civil pública, movida pelas ONGs Terra de Direitos, AS-PTA, Idec e ANPA, que desejava também impedir a comercialização de sementes de outras empresas, como a Monsanto e a Syngenta, mas que, nesse caso, não teve o pedido atendido.
 
Cresce a critica merecida à falta de transparência nos processos da CTNBio que se julga no direito de manter sobre sigilo sobre informações que deveriam ser abertas, o que, no mínimo, levanta suspeitas de que algo está sendo ocultado da sociedade.
 
O lobby das empresas de biotecnologia, irmãs siamesas das empresas agroquímicas, é formidável e o assédio às universidades e institutos de pesquisa é agressivo.
 
Não sabemos quanto tempo esta proibição vai durar, mas pelo menos ficou claro, com essa decisão corajosa da Justiça Federal do Paraná, que não há unanimidade no julgamento sobre o impacto ambiental dos transgênicos e que existe algo no ar além dos aviões de carreira. Como se diz na minha querida Ribeirão Preto, tem gato na tuba, ou seja, se mexer muito, vai feder demais.

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Quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Rádio Peão chega ao Twitter.
As empresas que se cuidem

 

As empresas e sobretudo os chefes que se cuidem. Se eles já tinham horror à tradicional Rádio Peão, demonizada particularmente pelas empresas que têm uma gestão e uma comunicação interna não democráticas, agora vão literalmente arrancar os cabelos porque a Rádio Twitter Peão chegou. E, pelo que parece, veio para ficar.
 
Isso mesmo. Nos Estados Unidos (há casos emblemáticos por lá), mas também em todo lugar, e inclusive no Brasil, as redes sociais (e especialmente o Twitter) têm abrigado vozes descontentes com o clima organizacional e com chefias que continuam confundindo autoridade com autoritarismo e promovem um festival (quantos processos em curso por aqui!) medíocre de posturas ultrapassadas, como o assédio moral, o abuso de poder, a avaliação injusta dos funcionários etc etc.
 
Como não é fácil botar a boca no trombone e identificar-se publicamente, na maioria dos casos estas manifestações de descontentamento ocorrem no anonimato, mas isso não significa que o impacto para as organizações e para os executivos envolvidos seja pequeno. Muito pelo contrário: provocam verdadeiros rombos na imagem e reputação porque, na prática, as mensagens costumam ser ácidas e ganham, com os milhões de conectados nas redes, uma dimensão planetária.
 
O “maltweetment” – esse é o termo cunhado para as mensagens negativas no Twitter – mereceu uma excelente reportagem da revista Amanhã (que tem dado contribuições relevantes para os colegas da Administração, da Comunicação Empresarial, do Marketing etc) de junho de 2010 e trouxe também depoimentos interessantes de gestores de empresas de destaque no cenário nacional.
 
Na prática, as organizações (muito menos as chefias) costumam não perdoar os funcionários malcriados e que ousam publicamente lavar a roupa suja. Elas estão certas? É assim que deveriam agir: eliminar imediata e drasticamente dos seus quadros aqueles que levam para fora dos seus muros os seus descontentamentos?
 
A questão deve ser analisada com cuidado e não devemos assumir a posição “patronalista” de que não se deve, sob hipótese alguma, tolerar esta desobediência institucional. Se as manifestações desfavoráveis ocorrem é porque algo deve estar acontecendo e não é razoável buscar uma solução paliativa. Todos sabemos que não funciona tratar ferida grande e exposta com merthiolate ou band-aid porque na verdade infecções generalizadas exigem tratamento mais adequado.
 
O problema, parodiando o ditado, está mais em cima e, infelizmente, são incontáveis os casos de insatisfação com o clima interno nas organizações e especialmente com a falta de competência das chefias, quase sempre inseguras, incapazes de resolver tensões sem apelar para a violência moral e para a chantagem emocional.
 
A gestão e a comunicação interna nas organizações vão de mal a pior, apesar do discurso grandiloqüente, falso, que apregoa a democracia interna, e dos prêmios conferidos por entidades (ah, que hipocrisia esses rankings de “melhores empresas para trabalhar!) que continuam avaliando cases produzidos pelos próprios gestores, mais interessados em conquistar prêmios do que em criar condições para um debate, um diálogo interno.
 
As organizações e as chefias permanecem avessas à divergência de idéias e opiniões e insistem em uma postura transgênica, monopolística, que se caracteriza por obrigar os públicos internos a aceitarem, sem contestação, a “verdade” dos gestores, mesmo que isso afronte a realidade, a ética, a transparência e contribua para a degradação do clima organizacional.
 
A Rádio Peão tradicional tem sido, ao longo do tempo, a reação possível (ninguém está defendendo que ela seja a melhor alternativa, mas ela é natural) dos funcionários para expressar divergências em relação ao “status quo” institucional e, convenhamos, as organizações que sofrem na pele com o ruído que ela faz certamente merecem ficar com os ouvidos em frangalhos.
 
A Rádio Twitter Peão apenas inaugura uma nova fase na relação entre funcionários e organizações e o barulho que ela pode provocar tem decibéis a mais e pode ser ensurdecedor. As redes sociais permitem que os ruídos ganhem novos espaços e contribuem para que muita gente escute os gritos descontentes dos públicos internos de organizações pouco competentes no processo de gestão de pessoas.
 
Agora, finalmente, as empresas vão ter que mudar de postura e considerar realmente como prioritária a comunicação com os públicos internos e especialmente criar condições para que o clima se oxigene, possa ser respirável. Na prática, muitas delas já têm sofrido com o ar contaminado porque os talentos (cada vez mais escassos) costumam fugir destes ambientes, deixando as organizações e as chefias assim que o cheiro ruim de incompetência institucional se manifesta.
 
Para evitar o barulho louco da Rádio Peão, a tradicional e a que ganha corpo nas redes sociais, a única alternativa é criar um ambiente construtivo, que potencialize o crescimento pessoal e profissional, que tenha como atributos básicos o diálogo, a participação, o respeito à diversidade e que descarte de vez as chefias que não têm legitimidade para liderar pessoas e processos.
 
É necessário profissionalizar a comunicação interna, dotando-a de instrumentos, canais de relacionamento que efetivamente promovam a integração. Chega de house-organs que apenas investem no auto-elogio das organizações e das chefias, basta de intranets com cara de mural de comunicados e de normas e de alternativas cosméticas como a velha caixinha de sugestões.
 
A administração moderna, em sinergia com o universo das redes sociais, precisa incorporar uma nova cultura, ser ágil, democrática, transparente e abandonar de vez a postura autoritária ou paternalista que respalda o paradigma do “pai patrão” que, se promete benefícios, exige obediência irrestrita.
 
A Rádio Twitter Peão não está se consolidando porque, como justificam as chefias incompetentes, as pessoas têm naturalmente a disposição para “detonar” as organizações. Isso não é verdade e, no fundo, eles sabem disso, mas precisam arrumar uma desculpa, um tapete para esconder as sujeirinhas institucionais. A Rádio Peão, a tradicional e a moderna, é alimentada pela falta de diálogo, pelos desvios recorrentes no processo de gestão de pessoas, pelo uso da autoridade ilegítima para sedimentar decisões que não encontram respaldo na lógica e não puderam encontrar consenso no seio das organizações.
 
A Rádio Twitter Peão pode até servir para acobertar preconceitos, questões pessoais mal resolvidas e desvios de caráter, mas ela aponta para a necessidade de uma revisão completa na forma de gestão, na definição de uma nova perspectiva para a comunicação interna.
 
As organizações que não estiverem atentas para a nova realidade vão ficar em apuros, agora ou daqui a pouco, porque o barulho das redes sociais tende a aumentar e promete ficar insuportável em situações de crise. Vai ser pior que megafone em cima de trio elétrico na porta da fábrica.
 
A saída não é monitorar as redes sociais para calar os descontentes, mas buscar finalmente tapar as “feridas” institucionais antes que elas vazem por todos os lados, expondo as organizações ao escárnio público. A imagem e a reputação empresarial estão cada vez mais vulneráveis e não há outra alternativa: ou se arruma a casa ou a sujeira vai se espalhar por todos os cantos. Ainda mais com tanta gente assoprando para que ela percorra o mundo.
 
Que a Rádio Twitter Peão não poupe chefias e organizações incompetentes. Há muito tempo que estamos alertando para a necessidade de mudanças radicais no processo de gestão e para a importância da democracia interna. Agora não adianta chorar porque, com as redes sociais, a porta foi definitivamente arrombada. Para a maioria das empresas, pode ser tarde demais para colocar a tranca.
 
 
 
 
 
 
 
 
  

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Quarta-feira, 28 de julho de 2010

Abaixo o peleguismo na Comunicação Empresarial

 

O caso é emblemático: em 2008, a Vale conseguiu o prêmio de empresa do ano de uma das entidades da área de Comunicação Empresarial e mereceu destaque, como era de se esperar, na divulgação oficial do prêmio. Mas (e sempre há um mas) logo depois deu uma penada em muitos executivos (empresas grandes costumam dar penada mas não têm pena de seus profissionais de comunicação) e alguns dos que estiveram lá para receber o prêmio, com foto estampada e tudo, ganharam o caminho da rua.
 
Você já sabe o que aconteceu depois disso, não é verdade? Ninguém, muito menos a mesma publicação da entidade, mencionou posteriormente o fato porque demissão de profissionais, mesmo os premiados, não faz parte da pauta em Comunicação Empresarial, voltada para os “cases bem sucedidos”, a badalação cor-de-rosa, aquela pouca disposição para o espírito crítico. Na verdade, com raras exceções, este caso (que não é bem sucedido porque demissão de executivo recém premiado não é natural , ou é?) passou em branco e talvez seja mesmo duro criticar a entidade que, no fundo, representa as empresas e não está preocupada com a demissão de profissionais da área. A gente entende, é assim mesmo, defender profissionais é para Sindicato, certo?
 
Esta visão pelega (será que estou exagerando?), comprometida com os patrões e clientes, não é exclusividade das entidades porque, infelizmente, costuma estar impregnada no DNA de muitos gestores de comunicação que passam o tempo todo “maquinando” formas de ganhar prêmios para aumentar o seu currículo. Eles estão mais interessados em agradar os seus clientes e patrões do que em cuidar efetivamente dos gargalos imensos que ainda empobrecem a Comunicação Empresarial brasileira.
 
Uma passeada rápida em muitos eventos da área evidencia esta realidade tediosa, de dar enjôo: um desfilar de blá blá blá, vídeos bonitinhos, cases muito bem arrumadinhos, com jeito de paletó e gravata (alguns até usam smoking ) e muita hipocrisia. Pois não é que na revista da mesma entidade a agência que atendia (não sei se ainda atende) o Consórcio Via Amarela (responsável pelo buracão no Metrô em Pinheiros, que matou várias pessoas) teve seu “case de sucesso” (gerenciamento de crise) publicado? Puxa, a cobertura da mídia desancou e ainda desanca (o rescaldo do caso ainda não se encerrou) a postura das empresas do Consórcio naquele momento e é fácil resgatar isso (eu tenho o clipping todo e posso provar o que digo). Mas, como existem assessorias que acham que não temos memória e publicação que aceita qualquer coisa, está lá como um case bem sucedido de gerenciamento de crises. Tenha dó, me engana que eu não gosto! Vá catar coquinho, como se diz no interior.
 
A Comunicação Empresarial brasileira está necessitando de um banho de coragem, de espírito crítico, de clientes e patrões menos vaidosos, de disposição para debater abertamente os seus problemas. E olha que eles não são poucos. Vamos exemplicar?
 
Apesar dos prêmios de comunicação (os relatos são feitos pelos gestores e não pelos funcionários, como seria mais legitimo!), a democracia interna nas organizações continua sendo peça de ficção e o estímulo à participação, à divergência de idéias e opiniões permanece refém de chefias autoritárias, de hierarquias rigidamente estabelecidas e de chefes de pessoal (parecem capatazes) que enxergam o capeta em cada mesa de escritório. Se você trabalha em alguma organização, pública ou privada, sabe que, com raras exceções, esse é o clima, não é?
 
As publicações empresarias (os house-organs) continuam sem cor, sem cheiro, sem gosto, monótonos como programa de televisão no domingo, e as intranets são um horror, focadas naquela visão equivocada da comunicação administrativa, um simples e mal concebido mural eletrônico de recados e normas, um atentado à comunicação moderna.
 
A participação nas redes sociais tem sido tolhida pelas empresas ou elas partem do pressuposto de que o negócio é divulgar produtos e serviços ou badalar os mesmos “cases bem sucedidos”, com pouca interação. Um desrespeito a este novo ambiente que deveria privilegiar relacionamentos e não ser utilizado para ações mercadológicas e institucionais suspeitas, de incrível mau gosto (como os prêmios culturais de empresa de bebidas, de laboratórios farmacêuticos etc).
 
A transparência no relacionamento com a imprensa, notadamente nos momentos de crise (que são cada vez mais freqüentes), não existe em boa parte dos casos e há empresas que continuam enxergando a mídia como adversária e jornalista como um estorvo, certamente porque pouco têm  pra falar e muito pra esconder.
 
O avanço sobre a privacidade dos funcionários é avassaladora e muitas organizações imaginam que seus públicos internos estão ali para detonar a sua imagem e reputação, o que talvez explique (não justifica, é lógico!) esta obsessão de chefias para controlar o fluxo de informações.  Nunca se praticou tanto o assédio moral como agora e a Justiça está cheia delas (A AmBev ocupa lugar de destaque no Google a este respeito e, para resgatar casos, basta escrever AmBev assédio moral na caixa de busca).
 
Em vez de considerar normal a troca de informações, a velha e importante comunicação interpessoal, muitas organizações saem à caça da Rádio Peão, como se ela fosse a razão maior de todos os problemas que enfrentam. Não conseguem olhar para as suas próprias mazelas e não percebem que a Rádio Peão (que é um processo natural) só aumenta de volume e causa estrago quando há uma gestão de pessoas incompetente e uma comunicação interna idem. Quando há diálogo e transparência, a Rádio Peão funciona normalmente e é uma aliada das organizações, não o contrário. Mas , você sabe: tem chefe que encara dois funcionários conversando como uma ameaça e três ou mais como uma conspiração. Estão fora do mundo, não ouviram falar de redes sociais ou imaginam que podem controlar todas as opiniões, o que só era possível nos tempos da ditadura quando as empresas (as montadoras eram boas nisso!) chamavam a polícia para dispersar os descontentes com cacetete.
 
A Comunicação Empresarial assume este tom pelego porque muitos profissionais têm medo de dizer não ao cliente e ao patrão (na verdade, com os patrões e clientes que temos por aqui não deve ser fácil mesmo dizer a verdade!) e acabam jogando contra o próprio patrimônio, como dizemos na gíria futebolística para jogadores que fazem gol contra. Há gestores de comunicação que recomendam o uso do “publieditorial” , mensagens publicitárias travestidas de texto jornalístico, ou que programam entrevistas pagas em programas de TV com o objetivo de enganar a audiência. Há outros que adoram o “marketing verde” e que usam, sem ficar corados, processos sujos de limpeza de imagem para livrar a cara de empresas predadoras. Há agências e assessorias que não se sentem envergonhadas de proclamar a responsabilidade social de empresas tabagistas (quantas milhares de mortes por ano?) e que querem nos convencer de que empresas que fabricam agrotóxicos (elas preferem chamar hipocritamente de defensivos agrícolas) são sustentáveis (embora emporcalhem com veneno o solo, o ar e a água!).
 
Está na hora de darmos uma guinada nesta situação porque a tediosa hipocrisia, este blá blá blá enjoado estão incomodando demais e é definitivamente um tiro no pé na Comunicação Empresarial autêntica, que não precisa ficar se apoiando em falsidades, meias verdades e mentiras integrais para ganhar status.
 
A Comunicação Empresarial legítima não pode ficar refém desta postura pelega, covarde, que engrandece empresas e organizações e penaliza os profissionais, demitidos sem dó nem piedade, como fez a Embraer com 4.200 funcionários na troca de turno, levando desesperança para milhares de famílias. A mesma falta de respeito profissional tem sido praticada por outras grandes empresas.
 
Os profissionais de comunicação precisam reagir, estar mobilizados para enfrentar o autoritarismo de patrões e clientes. Eles precisam defender o ethos da área que, apesar do discurso, continua convivendo com uma comunicação não estratégica, não integrada, com a não participação efetiva dos profissionais no processo de tomada de decisões. Gestores de comunicação andam a reboque, como meros apêndices e, o que é pior, acreditam que essa é a sua posição na estrutura das organizações.
 
A Comunicação Empresarial precisa descartar a camisa de força do autoritarismo, do auto-elogio, da vaidade pessoal, da hipocrisia e do cinismo e respirar mais liberdade, mais coragem, mais disposição para a crítica e a auto-avaliação.
 
Chega de peleguismo (até os Sindicatos e Centrais hoje andam mamando nas tetas dos governos), vamos levantar a cabeça, colocar os neurônios em ação e a espinha ereta. No interior, lá na minha querida Ribeirão Preto, já se dizia há um bom tempo: quando se curva demais a coluna, o “bumbum” fica perigosamente exposto. Depois não adianta reclamar quando as organizações nos chutam os fundilhos. Vamos reagir, o estupro na Comunicação Empresarial não é inevitável.

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Quinta-feira, 15 de julho de 2010

Produtores do MT criticam a Monsanto.
Bem feito, quem mandou confiar nela!

 

Produtores de MT andam bravos com a Monsanto porque, segundo eles, a multinacional  anda escondendo as sementes tradicionais de soja para obrigá-los a comprar e a utilizar as sementes transgênicas.
 
Esta é a informação básica contida na reportagem publicada hoje pelo Valor Econômico que traz declarações da Aprosmat – Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso e da Abrange – Associação Brasileira dos Produtores de Grãos não Geneticamente Modificados contrários à postura, que julgam não correta (se é verdade, é um escândalo, já previsto) da multinacional das sementes.
 
É lógico que a Monsanto nega tudo e justifica a reduzida oferta de sementes convencionais como um argumento de mercado: os produtores querem mais sementes transgênicas e a oferta das sementes tradicionais diminui naturalmente por causa disso. Simples, não?
 
Este filme é velho e é pena que os produtores do MT só agora estejam acordando para a realidade. Se pelo menos tivessem tido a oportunidade de assistir ao documentário O mundo segundo a Monsanto ou lido o livro com o mesmo título, não estranhariam o que está acontecendo por lá.
 
Embora sejamos solidários a eles, vale aqui um belo puxão de orelhas: puxa, conhecendo a Monsanto (ou não conheciam?), confiaram nela? E se a produtividade da semente transgênica de soja, como relatado na reportagem, for realmente menor na região do que a da convencional, qual será a saída?
 
E aqui vai um alerta para todos os produtores: o problema dos transgênicos não é apenas técnico, há um interesse monopolista das empresas de biotecnologia comandando tudo isso e a Monsanto não é confiável porque defende apenas o seu interesse e o dos seus investidores. É o capitalismo selvagem mesmo, o negócio é lucro (e dos grandes) e alguém achou que seria diferente?  Santa ingenuidade dos produtores, que pagaram para ver e ficarão com a fatura no final da história. Não foi por falta de avisar: a Maria Monique Robin, autora do livro sobre a Monsanto (vem continuação para breve, segundo fontes bem informadas), já tinha cantado a bola lá atrás.
 
E não adianta buscar apoio da Abrasem (livrem-se dela  o mais rápido que puderem) porque , de há muito, faz o jogo da multinacional e é uma aliada fiel dos transgênicos.
 
Produtores, amigos produtores, coloquem a barba de molho. Aí está um caminho sem volta: quem pensa apenas nos benefícios a curto prazo e se seduz com o canto ardiloso da sereia descobrirá, mais cedo ou mais tarde, o buraco em que se meteu.
 
Briguem para valer, denunciem, resistam ao estupro transgênico porque ele não é inevitável. Reunam provas, botem a boca no trombone e busquem saídas para a armadilha transgênica.
 
Quem quiser ler a reportagem, consulte o Valor de 15 de julho de 2010, página B12, na editoria de Agronegócios, com o título “Produtores acusam a Monsanto de “segurar” semente convencional.
E certamente vem mais por aí porque o cerco está se fechando. O negócio é lutar, resistir; caso contrário, chega de choramingar. Quem acredita em Papai Noel é criança ou babaca.

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Quinta-feira, 15 de julho de 2010

Laboratórios fazem (muito) mal pra saúde.
Como os sintomas persistem, chame a Polícia

 

Não tem jeito mesmo. O negócio é ampliar, sempre que possível, as denúncias sobre a postura ética de inúmeros laboratórios farmacêuticos que insistem em penalizar os consumidores em prol de um lucro ganancioso, irresponsável.
 
Depois de tantas denúncias já levantadas (e comprovadas) contra a Big Pharma (expressão utilizada lá fora para designar os maiores laboratórios), a Folha publicou no dia 14 de julho de 2010 (p.C9) mais uma, absolutamente contundente, reproduzindo reportagem assinada por Gardiner Harris, do New York Times, com o título “Laboratório ocultou os riscos de medicamento para diabetes”.
 
Os dados são estarrecedores e envolvem a SmithKline Beecham. Vamos a eles, começando pelo lead da matéria da Folha de S. Paulo:
 
“ Em 1999, a farmacêutica SmithKline Beecham lançou, em segredo, um estudo para descobrir se seu remédio Avandia, para diabetes, era mais seguro para o coração que o rival Actos, da Takeda. Os resultados do estudo, completado no mesmo ano, foram desastrosos. O Avandia não era melhor que o Actos e, pior, provocada ainda mais riscos cardíacos. Em vez de publicar os resultados, contudo, a empresa passou os 11 anos seguintes tentando acobertá-los, segundo revelam documentos aos quais o ‘New York Times’ teve acesso.”
 
É suficiente para revelar a intenção nefasta da empresa ou você, que nos lê, quer mais? Pois então, acrescentemos, ainda baseados na reportagem reproduzida no caderno Cotidiano da Folha: um executivo da empresa, nome Martin I. Freed, em e-mail de 29 de março de 2001, dizia categoricamente: “atendendo a pedido da direção da empresa, esses dados não devem ser vistos por ninguém de fora”. Ou seja, houve intenção deliberada de ocultar tudo, de impedir o acesso a informações que comprovavam os prejuízos causados pelo medicamento e, desde que o remédio passou a ser comercializado, tudo foi feito para que ninguém soubesse de coisa alguma.
 
Como mentira tem perna curta (ainda que tantos anos de venda de um medicamento perigoso representa um prazo longo demais), um dia, a farsa se desfez. Um cardiologista da clínica Cleveland, em 2007, conforme a reportagem, denunciou o fato e pouco a pouco as evidências do risco de consumo do Avandia se tornaram maiores. Agora, uma comissão da FDA (agência que regula medicamentos nos EUA) estuda (precisa estudar com tantos dados sobre a postura não ética, não transparente do laboratório?) proibir a sua comercialização.
 
Vários ensinamentos podemos tirar de mais este episódio envolvendo a Big Pharma. Em primeiro lugar, não se pode confiar nela porque, em nome dos lucros vultosos, é capaz de tudo, inclusive de ludibriar os consumidores e colocar sua vida em risco. Em segundo lugar, a tal da FDA “pisa na bola” com freqüência e há casos recorrentes de suspensão de venda de remédios depois que eles já comprometeram a saúde dos pacientes. Há quem garanta que o FDA é ineficaz, cúmplice pela sua própria inoperância. Em terceiro lugar, é preciso suspeitar dos estudos pretensamente científicos realizados sob o patrocínio de laboratórios porque eles são, em geral, sabidamente tendenciosos. Finalmente, os comunicadores da saúde e os jornalistas deveriam ser menos ingênuos e não insistirem na divulgação de releases da indústria farmacêutica, sem qualquer espírito crítico.
 
Já indicamos algumas vezes a leitura do livro “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos: como somos enganados e o que podemos fazer a respeito”, de Marcia Angell, aqui publicado pela Record. A autora foi editora de uma das mais prestigiadas publicações especializadas em Medicina/ Saúde do mundo (New Engalnd Journal of Medicine) e foi considerada uma das 25 pessoas mais influentes nos EUA pela revista Time. Integra também o Departamento de Medicina Social da Harvard Medical School. Logo, não está sob suspeita e devemos levar suas denúncias e reflexões a sério.
 
O livro de Marcia Angell é, todo ele, revelador, mas vale a pena sobretudo ler os capítulos 7 (Venda agressiva... Chamarizes, subornos e propinas), 8 (Marketing disfarçado de informação educativa) e 9 (Marketing disfarçado de pesquisa) porque eles dizem respeito a estratégias safadas de comunicação/marketing com o intuito de “ferrar” o consumidor.
 
Não pretendemos generalizar para todos os laboratórios farmacêuticos, mesmo porque seria irresponsabilidade da nossa parte, e não devemos ignorar que investimentos em pesquisa e na fabricação de novos fármacos contribuem para aumentar a qualidade de vida e têm salvado vidas ao longo dos anos. Mas o importante é que fique o alerta: desconfie sempre da Big Pharma porque ela costuma, com a maior cara de pau, colocar os lucros acima do interesse público.
 
A imprensa (com menos intensidade do que deveria, mas é fundamental saudar a Folha de S. Paulo pelas reportagens recentes e elucidativas sobre a falta de postura ética da Big Pharma), as entidades da área médica e pesquisadores independentes têm denunciado com vigor a relação espúria entre laboratórios, profissionais de saúde e farmácias no sentido de estimular o consumo de medicamentos, alguns de eficácia duvidosa e muitos de alto risco para consumidores, especialmente de determinados segmentos (idosos, crianças, grávidas, pessoas com problemas gástricos, renais, diabéticos, hipertensos etc etc).
 
Já explicitamos também – e devemos insistir neste ponto sempre – a relação não ética entre congressos e a Big Pharma, com intervenção direta na programação de palestras e na divulgação de estudos como esse realizado pela SmithKline Beechan sobre o Avandia.
 
Como comunicadores e jornalistas, comprometidos com a ética, a transparência e o interesse público, recomendamos a não utilização, sob qualquer hipótese, de material oriundo de laboratório farmacêutico sobretudo para divulgação de medicamentos porque não temos, necessariamente, conhecimento suficiente para discernir a sua legitimidade. Devemos também descartar qualquer tentativa de associar laboratórios não éticos com responsabilidade social, mas, assim como acontece com as agroquímicas, empresas de tabaco etc, o discurso tem sempre esta intenção manipuladora.
 
Temos que continuar chamando a atenção das autoridades para o uso de material informativo publicado por farmácias para a divulgação de medicamentos, o acesso facilitado a remédios nos balcões e a venda (você viu a reportagem de capa da Veja SP desta semana sobre as farmácias?) indiscriminada e irresponsável de medicamentos, mesmo daqueles que exigem prescrição médica.
 
Estamos diante de uma verdadeira indústria da saúde, nefasta, mesquinha, e as exceções, que nem são muitas, confirmam a regra. Como consumidor, fique atento sempre e desmascare a ação de muitos representantes das farmacêuticas (não vamos generalizar também para não sermos injustos) que freqüentam com desenvoltura os consultórios, oferecendo vantagens para profissionais não éticos (os éticos repudiam este assédio escandaloso, felizmente).
 
Repudie, com veemência, a ação de balconistas vestidos com jalecos de laboratórios e que, em muitos casos, como já presenciei, fora dos balcões distribuem folhetos de medicamentos, induzindo pessoas incautas ao consumo.
 
Preste atenção a uma nova realidade: a aquisição de fabricantes de genéricos por grandes laboratórios como forma de evitar a concorrência, visto que muitos genéricos (não confie também em muitos laboratórios que vendem estes produtos) têm preços sensivelmente menores dos que os de marca.
 
Sejamos críticos, espertos, comprometidos com a educação para a saúde e não poupemos empresas não éticas que atentam contra o consumidor, o cidadão.
 
Diga não à ganância da indústria da saúde, exija das autoridades (mas cuidado porque muitas delas fazem parte do esquema, por má intenção ou negligência explícita) punição exemplar para aqueles que insistem em sobrepor os lucros à defesa da saúde e não acredite que apenas com medicamentos é possível melhorar a qualidade de vida.
 
Desconfie sempre porque nessa área o jogo nem sempre é limpo, apesar das roupas impecavelmente brancas. A sujeira não costuma estar na superfície, mas no caráter , no DNA de empresas socialmente irresponsáveis.
 
Para não dizer que sou injusto ou radical (radical vem de raiz e é necessário não perder o vínculo com o interesse público), meu reconhecimento e meus cumprimentos efusivos às empresas que levam a ética e a transparência ao pé da letra e que, infelizmente, acabam sendo contaminadas pela postura daquelas que apostam na ingenuidade e na falta de vigilância de todos nós.
 
Cuidado: A Big Pharma pode fazer muito mal para a nossa saúde.
 

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Quinta-feira, 8 de julho de 2010

Propaganda de alimentos e bebidas:
interesses poderosos em jogo

 

A definição recente, pela ANVISA, de restrições à propaganda comercial de alimentos e bebidas não alcoólicas, fez despertar novamente a tradicional e danosa cumplicidade entre fabricantes e organizações que representam as agências de propaganda e veículos.
 
Esta reação culminou com a publicação, no dia 7 de julho de 2010, em importantes veículos (Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, por exemplo) de um anúncio intitulado Em defesa do Estado de direito, assinado por inúmeras entidades, com o objetivo de aumentar o lobby sobre o Congresso Nacional e impedir que a decisão da ANVISA seja colocada em prática.
 
A declaração publicada na imprensa busca na verdade desviar o foco da questão, muito clara para todos aqueles que estão efetivamente comprometidos com a qualidade de vida, a saúde de maneira geral, especialmente com o impacto do consumo de alimentos e bebidas não saudáveis junto às crianças e jovens.
 
A propaganda influencia decisivamente no consumo (se não fosse verdade, por que as corporações gastam milhões de reais em campanhas publicitárias e promoções nos pontos de venda para seduzir os incautos a consumirem produtos não saudáveis?) e, assim como em outros países, é fundamental estabelecer limites à sua veiculação.
 
Na verdade, a ANVISA até que “pegou leve” porque seria necessário mesmo proibir a veiculação de propaganda negativa em determinados horários, em determinados programas, e o que, na prática, ela fez foi exigir que os anúncios alertassem pais e filhos sobre os efeitos do consumo indesejável na saúde. Está errada a ANVISA?
 
A obesidade é um problema grave na sociedade moderna e deve ser combatida com políticas públicas que incluem a educação, mas também um debate aberto com a sociedade e restrições à ganância de fabricantes, com o apoio dos que lucram com esta divulgação, como é o caso de veículos e agências de propaganda.
 
Puxa, não sejamos ingênuos: os fabricantes de alimentos e refrigerantes não são (muito pelo contrário) protetores das nossas crianças , e há casos comprovados de maquiagem de produtos, condenados pelas autoridades, de sonegação de informações na propaganda e nas embalagens e de ações não éticas para estimular o consumo a qualquer custo.
 
Não é possível tolerar que, em nome dos lucros de agências, de veículos e sobretudo dos que vendem produtos que penalizam a nossa saúde, se mantenha a situação atual caracterizada pelo assédio a crianças e jovens sem qualquer controle ou fiscalização.
 
O argumento da auto-regulação é falacioso porque, apesar de algumas boas ações do Conar (que no fundo representa mesmo as empresas e muitas vezes age para regular as disputas entre elas), ele não pode e não está interessado em contrariar os seus verdadeiros interesses. Tem estado sempre a reboque das demandas da sociedade, correndo atrás do prejuízo, e, o que é importante, não tem como função estabelecer políticas para proteger os consumidores, mas ações pontuais (ainda que positivas), apropriadas pelos anunciantes para o marketing da auto-regulação.
 
A sociedade precisa agir diretamente, estar empenhada em impedir o avanço dos fabricantes, em dizer não a TVs por assinatura, editores de revistas e jornais, emissoras de rádio e televisão que visam unicamente defender os seus bolsos, supridos por empresas de fast-food, salgadinhos, fornecedores de alimentos gordurosos e contaminados por aditivos, conservantes etc.
 
O outro argumento utilizado pelos que são contra a decisão da ANVISA é também equivocado: todos sabemos que não é apenas a propaganda que deve ser regulada e que é necessário educar os pais, educar inclusive os educadores, mobilizar a opinião pública e tomarmos uma série de medidas em favor do consumo saudável. Mas isso não significa que, porque não podemos fazer tudo ao mesmo tempo, não iniciemos já esta luta obrigatória, inadiável contra a comunicação indesejável.
 
Seria, da mesma forma, aceitar que, porque não conseguimos prender os que atentam contra a lei, deveríamos deixar soltos os que conseguimos apanhar para não cometermos uma injustiça. Devemos sim começar por onde for possível e a ANVISA (que tem feito um trabalho formidável contra empresas de agrotóxicos, medicamentos, bebidas alcoólicas etc) merece o nosso irrestrito apoio nesse caso.
 
Como a Justiça anda falhando e tardando, como o Congresso Nacional já nos decepcionou inúmeras vezes, mesmo porque acomoda lobbies formidáveis (como o que anda aprovando mudanças inaceitáveis no Código Florestal), e os governos costumam ser vulneráveis a pressões do poder econômico, não sabemos como este embate vai terminar. Tememos mesmo que, como em outras situações similares, o tal “estado de direito” pretendido pelos declarantes que assinaram o anúncio possa vingar.
 
O que nos compete é desmascarar esta investida, denunciar esta relação espúria entre o poder da mídia e o poder econômico, estarmos juntos às entidades de defesa do consumidor (viva o IDEC e sua luta incansável em prol da cidadania), ao Instituto Alana (um trabalho absolutamente fantástico contra o consumo não consciente e os desvios de conduta das corporações), a ONGs autênticas, a grupos mobilizados da sociedade etc.
 
A imprensa que nos desculpe, as agências de propaganda que nos desculpem, mas estamos radicalmente do outro lado do balcão. A pretensa defesa da liberdade de expressão, levantada sempre que se busca impor limites à propaganda nociva, enganosa, nefasta não nos convence e já vimos esse filme em outras oportunidades. Vamos ser transparentes de uma vez por todas: assim como os fabricantes, imprensa e agências dão as costas aos direitos e interesses dos cidadãos e miram apenas o lucro advindos das campanhas publicitárias que movimentam “rios de dinheiro”.
 
Pouco importa, afinal de contas, se a ANVISA pode ou não legislar (na verdade alguém deveria fazer isso para não ficarmos reféns da auto-regulação comprometida com os grandes interesses), porque a decisão dela foi correta e mereceria ser acatada pela Justiça.
 
A declaração publicada nos jornais é hipócrita, tenta desviar o foco da questão principal: a propaganda que induz ao consumo de produtos não saudáveis é prejudicial e este estado coisas não pode continuar.
 
Os cidadãos têm o direito de ser bem informados (um ponto de vista que diverge da falsa defesa da liberdade de expressão advogada pelos que assinam a declaração) e a propaganda de alimentos e bebidas deve pautar-se por esta tese.
 
Digamos não a este lobby, a mais esta tentativa de nublar a transparência na comunicação brasileira. Alimentos não saudáveis fazem mal e os que vendem chocolates, salgadinhos, refrigerantes e o palhaço do McDonald´s sabem disso. Azar deles que, cada vez mais, a sociedade está tomando consciência deste fato e está reagindo. A ANVISA, o IDEC, o Instituto Alana e nós que sabemos como se estabelecem as relações de poder nesse País também estamos atentos.
 
Em nome da saúde das nossas crianças, devemos exigir políticas públicas que efetivamente controlem a ganância dos que vêem o lucro em primeiro lugar. Basta de hipocrisia e de argumentos falsos. Os fabricantes de alimentos e bebidas não saudáveis, as agências, os veículos e os parlamentares que costumam votar contra a cidadania deveriam plantar batatas (sem agrotóxicos, por favor).
 
 
 

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