Segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
   
 
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Sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A propaganda e o consumo infantil

 

A TV Cultura exibiu ontem, primeiro dia de 2009, um documentário revelador sobre o consumo infantil, destacando, em particular, a irresponsabilidade de anunciantes e a cumplicidade de agências de propaganda e de veículos de comunicação, com a conivência do Conar (mais uma raposa a tomar conta do galinheiro?).
 
É surpreendente perceber várias coisas: 1) a tentativa cínica de anunciantes, agências e veículos de defender os seus lucros à custa do argumento da liberdade de expressão, como se elas estivessem efetivamente interessadas nisso; 2) a ingenuidade de muitos comunicadores que acreditam realmente que o Conar regula alguma coisa, quando há tantos desvios de conduta na propaganda brasileira e estratégias de manipulação com o objetivo de favorecer os anunciantes, veículos e agências; 3) a negligência , a omissão de autoridades que fecham os olhos ao assédio não ético sobre nossas crianças de empresas de fast-food, de brinquedos, de refrigerantes, de fabricantes que vendem porcarias de todo o tipo e estimulam o consumo não consciente.
 
Temos sistematicamente denunciado (o Instituto Alana e o IDEC prestam um serviço inestimável neste sentido) esta manipulação odiosa, mas o lobby dos que faturam à custa deste assalto é poderoso, com ramificações em todo o lugar, mesmo porque há mais de um bilhão de reais em jogo, que é o que movimenta este mercado.
 
O problema certamente não é apenas brasileiro, mas as empresas que lideram esse processo de assédio às nossas crianças também não são e por isso a postura e a estratégia já são conhecidas e incluem palhaços com cara de idiota que vendem hamburgers calóricos, personagens infantis , artistas e apresentadores de televisão que se prestam a este jogo sujo.
 
A ANVISA , que está buscando através de audiências públicas limitar esta farra tem sido torpeada de todos os lados e as empresas de alimentos, de bebidas, de brinquedos (mas também de celulares etc etc) agem como os laboratórios farmacêuticos, a indústria do álcool e todos aqueles que desejam manter suas mensagens danosas no ar, penalizando o consumidor, seja ele de qualquer idade.
 
A sociedade precisa dar um basta a esta investida e ficar de olho em entidades de auto-regulamentação, que não passam de lobos em pele de cordeiro. Atitudes cosméticas são tomadas por estas entidades apenas com o objetivo de “jogarem para a torcida”, porque, no fundo, desejam manter estes privilégios. Você ainda não percebeu como o Conar corre atrás do prejuízo quando a sociedade tenta regular abusos da propaganda? Anda sempre a reboque, tentando evitar que a sociedade bote a mão naqueles que utilizam a propaganda como estimuladora do consumismo desenfreado, não perdoando ao menos as nossas crianças. Enquanto isso, os laboratórios continuam afrontando a legislação, as montadoras continuam estimulando a velocidade junto aos jovens, as empresas de bebidas incentivam o consumo de álcool sem moderação e as crianças sofrem na mão de empresas sem escrúpulo algum.
 
Muita gente tem medo de dizer a verdade porque algumas entidades de auto-regulamentação são blindadas por agências, anunciantes e mesmo veículos que não querem abrir a mão da grana que recebem. Faz parte da estratégia. É sintomático que o documentário sobre consumo infantil só tenha sido veiculado numa televisão pública: alguma televisão comercial o divulgaria? De forma alguma: para jornais, revistas e sobretudo emissoras de televisão pouco importam as crianças (você acredita na hipocrisia da Criança Esperança?). Vão continuar defendendo cinicamente a liberdade de expressão...de indústria de salgadinhos, celulares, brinquedos, bebidas etc. Como dizem os críticos do capitalismo selvagem (quer postura mais selvagem do que ludibriar crianças e pressionar os pais para o consumo não consciente?): é o livre mercado, estúpido! O mesmo que nos entregou de bandeja essa crise financeira que aí está. Nessa hora, os empresários e os veículos correm atrás do Governo para manter os seus lucros. É triste perceber como o lobby (e esta chantagem) de montadoras, construtoras, bancos etc funciona.
 
Em tempo: seria interessante que o jornalismo investigativo fosse mais fundo na recente conquista da Nestlé na gestão Kassab que agora se reinicia.  Não sei não, mas pelo que já li (provar não se pode) ficou para mim (posso estar errado) um cheirinho de leite azedo nessa história. Depois da Nestlégate, do agrotóxico em farinha de leite nos EUA etc, a gente fica mesmo desconfiado. Nasci assim e vou morrer assim. Não tenho vocação para bobo. E a Nestlé que foi condenada pela história por desestimular a amamentação materna também. Se  você quer entrar em briga de cachorro grande é melhor estar armado com um pau bem grande. Cautela e caldo de galinha não fazem mal pra ninguém, minha mamãe querida já dizia.
 
 

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Terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A Petrobrás e as mídias ambientais

 

Tenho sido bastante crítico em relação à Petrobrás e julgo que minhas considerações fazem sentido porque não há dúvida alguma de que o combustível sujo que ela nos fornece faz mal à saúde. Eu digo isso apoiado em opiniões de especialistas e não em minha opinião pessoal, que vale pouco nesse caso. Também não me satisfaz esta interferência política, quase sempre uma política partidária barata , que deveria incomodar ( a mim incomoda pra caramba) uma empresa que tem competência técnica e presta uma imensa contribuição ao país.
 
Toda vez que gente de fora (em particular do mundo político que busca cargos, pratica o “toma lá, dá cá”) bota o dedo em empresas, institutos de pesquisa ou universidades de reconhecida competência as coisas acabam mal, perde-se o foco e há uma tendência de as organizações ficarem reféns daquele jogo não ético, não limpo, tão a gosto de partidos sem postura e compostura.
 
Mas aqui eu quero reconhecer, baseado em depoimentos de colegas das mídias ambientais, que a Petrobrás, mesmo dentro de certas limitações (a ajuda poderia ser muito maior), tem contribuído com o debate ambiental, anunciando em veículos jornalísticos e apoiando eventos da área. E, o que é mais importante, segundo o testemunho de colegas, é que não tem feito represálias quando são publicadas notícias que não são lá muito favoráveis à empresa, como o recente episódio do embate com o Instituto Ethos (eu fiquei do lado do Ethos nesta história, embora não tenha concordado com o vazamento de informação e julgue que ele foi justamente punido com sua suspensão pelo Conselho Deliberativo do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&FBovespa)
 
A Petrobrás faz bem em apoiar as mídias ambientais e em não exigir contrapartida explícita (implicitamente sempre há e ninguém é ingênuo por aqui), mas é assim mesmo que toda empresa ética deveria agir, embora normalmente a maioria utilize os anúncios como forma de “tapa-boca” junto aos veículos. Aqueles que não tem “espinha reta” se curvam a elas ( este não é o caso das mídias ambientais autênticas), mesmo porque estão no mercado mais para ganhar dinheiro do que para servir o chamado interesse público, eles não têm uma causa para defender.
 
Logo, como tenho, como a maioria dos brasileiros, uma visão positiva da Petrobrás, quero registrar este fato aqui: a empresa tem andado na linha com as mídias ambientais.
 
 Mas, para não passar em branco, deixo as seguintes observações também:
 
1)      A Petrobrás deve em 2009 manter esta postura correta, coerente (se é que está mesmo interessada em ajudar as mídias ambientais e não apenas tentando ser legal para “ficar bem na fita”) e , mesmo com a redução da verba de publicidade já anunciada, não deve penalizar exatamente os veículos mais comprometidos com o debate público e democrático das questões ambientais;
2)      A Petrobrás precisa continuar respeitando em 2009 a independência das mídias ambientais e não pressioná-las de forma alguma para que a favoreçam porque jornalismo bom é aquele que privilegia a informação qualificada e não o que está voltado para atender interesses comerciais ou políticos excusos;
3)      A Petrobrás precisa aumentar em 2009 a sua colaboração com as mídias ambientais e repartir melhor a sua verba de comunicação. Raciocinemos: quanto ela tem investido nas mídias ambientais e quanto tem gasto (tubos de dinheiro, eu sei) patrocinando cadernos pagos nos grandes veículos? As mídias ambientais, embora lutem arduamente pela sua sustentabilidade, não precisam de migalhas, precisam mesmo de parcerias. Investir nelas não é um favor, mas um ótimo negócio porque elas têm credibilidade, atingem efetivamente os seus públicos, são respeitadas por sua independência e competência informativa.
 
Um conselho para os colegas da Petrobrás: se houver mídias ambientais (existem as não autênticas, sabia?) que não publicam fatos negativos sobre a empresa, mesmo quando eles são de domínio público, só para “agradar o cliente”, não confiem nelas. Aparentemente, elas estão sendo legais, poupando a empresa, mas, ao fazerem isso, perdem todo o prestígio com quem é da área, com quem percebe estas manobras, tão comuns no mundo da comunicação. Investir em veículo sem credibilidade é jogar dinheiro fora e, como andam dizendo que a Petrobrás é nossa, não quero que ela desperdice o meu dinheiro também. O negócio é anunciar só em que tem independência: toda empresa séria deveria fazer isso (continuarei em 2009 com as minhas utopias).
 
Tenho liberdade (ou autoridade) para fazer isso porque nos meus sites e neste blog não aceito publicidade de empresas, mesmo de empresas de quem eu gosto, como a Petrobrás. Respeito os colegas de lá, não duvido da seriedade e da competência deles, mas minha independência vale mais. Assim, fico tranqüilo para dizer o que penso, como faço agora. E não preciso ficar medindo as palavras, esta auto-censura sutil, este policiamento discursivo que acaba acontecendo quando há anunciantes por perto ajudando a pagar a conta.
 
Feliz 2009 para a Petrobrás e principalmente para as mídias ambientais (as autênticas, porque há arremedos por aí fazendo apologia do Blairo Maggi, agradando mineradoras, empresas agroquímicas e até fazendo parceria com a Monsanto – cruz credo!).
 
E  Feliz 2009 para você também. Como eu, cobre coerência da Petrobrás. Se ela agir assim em 2009, palmas; caso contrário, sapatada (está na moda!).
 

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Quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Curso de especialização em Comunicação Empresarial

 

Se você pretende se tornar um especialista em Comunicação Empresarial, não deixe de consultar a proposta do Curso de especialização em Comunicação Empresarial da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, uma das referências em pós-graduação em Comunicação do País (mestrado e doutorado), com 30 anos de existência e centenas de dissertações e teses já concluídas.
 
O curso se destina a profissionais de comunicação em geral (jornalistas, relações públicas, publicitários), de administração/recursos humanos, marketing e gestores de comunicação nas organizações, inclusive as do Terceiro Setor. Ele tem a duração de 18 meses, com aulas às  terças-feiras à noite e sábado pela manhã, e apresenta uma matriz curricular bastante abrangente e sintonizada com as demandas e desafios contemporâneos em Comunicação Empresarial.
 
O coordenador do curso é o responsável por este blog e os professores são docentes, profissionais e pesquisadores reconhecidamente competentes, com grande experiência na área. O curso já tem 3 turmas em andamento e é realizado no Campus São Paulo, na rua Silva Bueno, na capital paulista.
 
Se você quiser maiores informações, dê uma navegada pelo seguinte endereço: http://www.metodista.br/lato/comunicacao-empresarial . Se preferir me consultar, estou à disposição para tirar as suas dúvidas e bater um papo sobre o curso.
 
Sou daqueles que costuma mesmo vestir a camisa quando se trata de uma organização séria e comprometida com o ensino e a pesquisa, como a UMESP e posso, nesse caso, assinar o que falo porque estou lá há mais de 25 anos (tempão, não é verdade?).
 
Vamos em frente que atrás vem gente.
 

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Terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Medidas de exceção? Vale isso?

 

A gente sabe que a nossa legislação trabalhista tem buracos imensos, que é preciso revisá-la (assim como boa parte de algumas legislações – tributária, penal, ambiental etc), mas nada justifica o insistente pedido de empresários para que o Governo adote medidas de exceção para salvar o seu caixa combalido (será mesmo?).
 
O grande arauto desta proposta foi Roger Agnelli, presidente da Vale (vide reportagem do Estadão do dia 14 de dezembro de 2008, p. B6), embora muitos outros empresários e federações/ associações patronais tenham depois engrossado o coro, tentando tirar vantagem dessa situação nebulosa que enfrentamos.
 
Na verdade, muitos empresários gostam de flexibilizar os prejuízos e concentrar os lucros e é vergonhoso perceber como empresas que até outro dia andavam “faturando os tubos” com a exploração dos nossos recursos naturais agora não saem de Brasília, chorando pelos cantos, tentando obter privilégios.
 
Por sorte, o presidente Lula tem origem no meio sindical e não vai engolir esta chiadeira hipócrita de alguns empresários porque conhece esta toada sem graça que sempre surge em meio a crises como uma ameaça real: demitir gente, ferrar gente, para salvar a empresa e a própria pele.
 
Não ignoramos que os trabalhadores, todos nós, estejamos correndo o risco de perder o emprego porque essa é a primeira medida que empresários gananciosos tomam quando a situação fica menos favorável, mas, felizmente, a legislação exige que tudo seja feito por acordo (há empresários que devem ter saudade da ditadura quando os conflitos se resolviam no cacete, sempre a seu favor!) entre as partes (embora numa situação dessas seja difícil negociar com a faca no pescoço!).
 
Nada de medidas de exceção. Negociar, negociar e, para isso, é preciso ter transparência. Quanto essas empresas andaram ganhando nos últimos anos? Quanto algumas delas andaram remetendo para suas matrizes (laboratórios, montadoras etc)? Enfim, onde enfiaram o dinheiro?
 
Empresas que costumam mexer com commodities devem imaginar que as pessoas também são commodities, mas estão redondamente enganadas. A gente está vendo como a ganância de algumas mineradoras andaram contribuindo para as enchentes em Minas e Rio de Janeiro, com o assoreamento dos rios pelos seus dejetos sujos (essa denúncia está na mídia). Há empresas que estão se lixando para as pessoas e que ainda recebem prêmios de responsabilidade social (de entidades tão pouco éticas quanto elas).
 
Elas certamente vão demitir, sempre fazem isso, sempre ameaçam com a mesma medida. Uma das poucas coisas boas que ocorrem nessas crises é que empresários e empresas tiram as máscaras e mostram a sua verdadeira face. E alguém vai continuar achando (os que sobrarem empregados e com pouca consciência, talvez) que essas são as melhores empresas para trabalhar? Pergunte aos que estão sendo mandados embora e para os indígenas, os quilombolas, os excluídos pelas barragens etc . Não vale perguntar para a Exame, a Gazeta Mercantil, a Época e outras publicações que andam inventando esses rankings todos. Elas querem anúncios, apenas anúncios. E empresas que gostam de praticar o processo sujo de “limpeza de imagem” adoram estas premiações e pagam bem por elas. Vale isso?

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Terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Gol está na mídia. Coitado dela (e dos passageiros!)

 

A Gol está bastante visível nos jornais, com direito a chamadas de capa, mas certamente esta presença midiática não faz parte da sua estratégia de relacionamento com a mídia. É crise mesmo, crise de gestão, crise de falta de comando, crise de ganância (overbooking é ganância das boas!) crise de comunicação e crise de todo tipo.
 
Esta crise está sendo anunciada faz um tempão, desde a fusão com a Varig, um dos piores negócios dos últimos anos. Além disso, o seu presidente Nenê Constantino tem estado envolvido em episódios nada éticos e transparentes (o mais recente, um indiciamento pela morte de um líder comunitário em Brasília), o que, a gente imagina, torna o ambiente interno bastante tumultuado. Mesmo que nada seja provado contra ele (até agora não foi mesmo), ter o dono nas manchetes policiais já é uma dor de cabeça imensa para sua assessoria de imprensa.
 
Agora, com a chegada das festas de fim de ano, a coisa piorou de vez porque a Gol não tem estrutura para dar conta da demanda que se amplia nestes momentos, a gestão é ruim, a frota insuficiente e quem sofre é o consumidor que, na verdade, com o duopólio instalado por aqui, não tem mesmo para onde correr (ou voar). Os jornais de hoje (como o Estadão, p. C6) indicam que metade dos vôos da Gol atrasaram ontem (dia 22 de dezembro) e ironicamente citavam as desculpas inventadas para justificar a bagunça (pane no sistema de controle de despacho, problema em uma das esteiras de bagagens em Cumbica). A TAM também cansou de inventar desculpas no Natal de 2007,  mas acho que esta postura faz parte do DNA de empresas não transparentes, socialmente não responsáveis.
 
Posso testemunhar: viajo pouco pela Gol (o atendimento sempre foi bom e nada a reclamar dos aviões), mas não dou sorte. Fiz check-in pela Web para viajar de Gol e fui parar num avião da Varig, que nem tinha o número do assento que me fora reservado e, em outra oportunidade (tudo recentemente), havia duas pessoas marcadas para o mesmo lugar (sorte minha que estava sentado quando o outro colega chegou e sorte dele porque o avião não estava lotado). A meu ver, é um risco enorme viajar pela Gol, mas, para ser sincero, não confio também na TAM, ainda que a frota seja maior. Na TAM, é preciso tomar cuidado porque a companhia do saudoso comandante Rolim (bons tempos aqueles) costuma ter problema com reverso, manete etc.
 
Está na hora de as autoridades (refém das duas companhias ou incompetentes mesmo?) tomarem uma decisão drástica e acabarem com a farra deste duopólio, que divide a malha área (a TAM e a Gol dividiram algumas linhas, tipo você fica com Londrina, eu fico com Ribeirão Preto etc) , criando exclusividades danosas para o consumidor, com aumento abusivo dos preços das passagens e cancelamento de vôos a torto e a direito. O que elas sabem fazer direito é um lobby odioso em Brasília (como freqüentam os ambientes da Capital Federal!) para impedir a entrada de concorrentes.
 
A Gol irá caminhar para o mesmo destino de outras companhias que já não voam mais, se a crise persistir por muito tempo. Pior é que o Governo não se dá conta disso e novamente podemos ter funcionários de empresas aéreas vendo navios (é isso mesmo, companhias aéreas deixam os funcionários a ver navios!), sem emprego, sem salário, sem fundo de garantia etc.
 
A Gol tem um sistema de gestão conhecido por “gol contra”. Haja paciência dos passageiros nesse fim de ano. A única coisa que não é passageira para quem voa no Brasil é a dor de cabeça. Dura para sempre. E você confia na ANAC? Tão nova e já com um passivo tão grande! Bota gente competente para trabalhar, presidente!
 
Meus votos de Feliz Natal aos funcionários da Gol e espero que estejam bem também em 2009 (muitos não chegaram lá, despedidos pelo meio do caminho). Eles não merecem os patrões e algumas chefias que têm. Mas acho que é só minha opinião pessoal. Como algumas áreas e empresas do Governo dão exclusividade para a Gol para deslocamento de seu pessoal, devem achar que é uma maravilha. Como diz o povo, “pra quem gosta é prato cheio”. E as moscas continuam voando.
 

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Segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Privatização da água no Brasil: Nestlé avança

 

Pode ter passado batido para muita gente, mas todos aqueles que andam preocupados com o processo de privatização da água em todo o mundo devem ter ficado com os olhos arregalados com mais esta notícia: a Nestlé comprou a água mineral Santa Bárbara. A empresa suíça (a mesma do Nestlégate, que comentamos aqui tempos atrás!) avança rapidamente em cima deste nosso recurso natural básico. Por que será, hein?
 
Mas, reconheçamos, ela não está sozinha nesta investida porque a Danone há menos de dois meses também anunciou sua entrada no mercado de águas minerais no Brasil e a Coca-Cola já tem um bom pedaço do mercado.
 
Desatentos, omissos, os jornais não deram destaque a este fato e a notícia mais ampliada que pude ver saiu no jornal Valor Econômico de 11 de dezembro de 2008.
 
Tenho visto, inclusive, reportagens e comentários que falam que o mercado não é tão grande por aqui, que o brasileiro consome pouca água engarrafada (estão querendo enganar a gente?), mas isso não é verdade (sobretudo se olharmos para o crescimento deste nicho de mercado nos últimos anos e para o futuro), mesmo porque só em galões já são vendidos hoje no Brasil mais de 8 bilhões de litros.
 
As marcas líderes já são de empresas multinacionais, como a Coca-Cola (com a marca Cristal) e a própria Nestlé (com a marca Minalba) e, ao que parece, esta tendência vai se acelerar nos próximos anos, com investimentos maciços.
 
As grandes corporações sabem que quem puder pagar se valerá cada vez mais da água engarrafada (a que vem nas nossas torneiras é quase sempre um lixo) e apostam nisso. Mas o que é dramático é que essas empresas todas estão aprofundando o processo de privatização de um recurso natural básico, sem que ninguém fale nada.
 
O Cade, que é quem deve fiscalizar essas coisas, apenas fica preocupado em saber se uma empresa tem ou não o monopólio, mas não percebe o problema maior: há uma gradativa entrega do mercado de água de beber para a iniciativa privada, ainda que na prática sejam muitas empresas. O Cade pensa em negócio, não em meio ambiente.
 
Já assistimos a esse processo de privatização como um todo em nosso país porque o agronegócio tem, de há muito, se apossado da maioria da água doce disponível, carreada para irrigação (e haja desperdício!) de suas culturas (e haja monoculturas!). Enfim, estamos jogando a água de beber no colo de empresas de fora (há também algumas nacionais, mas já sabemos o destino delas: como as de sementes, serão compradas pelas grandes corporações!), que definirão o preço do litro de água.
 
Ninguém duvida que a água custará mais caro do que a gasolina e, se atentarmos para o fato de que essa água deveria ser de todos (é um recurso natural), esse processo de privatização é um escândalo.
 
As sementes vão para a Monsanto, a água para a Nestlé, Coca-Cola e Danone. E ninguém faz nada. É isso que chamam de livre mercado, teoria aceita por todos os governantes e partidos.
 
Sacanagem, sacanagem, sacanagem. Assim como o petróleo é nosso (mas custa caro e tem servido para a Petrobrás fazer combustível nada limpo), a água, mais do que qualquer outro recurso, deveria ser nossa também.
 
Vamos ficar de olho na Nestlé, na Coca-Cola, na Danone. Essas empresas não brincam em serviço e têm ambições monopolistas, intenções nada sustentáveis. Já estou até ficando com sede. Cuide-se: se um dia ficar com sede, terá que pagar muito para saciá-la. Essas empresas apostam na lei da oferta e da procura e, no caso da água, certamente vão ganhar, se a gente ficar de braços cruzados, porque água boa se tornará cada vez mais cara.
 
Em tempo: as corporações usarão mais plástico para fazer garrafinhas e emitirão mais gás carbônico no envase e no transporte das garrafinhas e galões. Negócio insustentável esse, mas lucrativo dirão a Nestlé, Danone e Coca-Cola. E elas pensam em outra coisa?
 
 

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